07 dezembro 2006
O TEATRO DO PMDB E O TCU
Sem nomes, PMDB faz teatro e finge ter candidato a presidente da Câmara
Maior partido da Câmara, o PMDB está num beco quase sem saída na semana que vem, quando marcou para terça-feira uma reunião na qual supostamente escolherá seu candidato a presidente da Casa. Todos os líderes peemedebistas fingem que o partido está para valer na disputa, mas ninguém sabe como resolver o processo da escolha de um nome.
Não há na bancada peemedebista um único nome capaz de ser candidato para valer a presidente da Câmara e em condições de unificar os 89 deputados eleitos.
É razoável a chance de o PMDB chegar à semana que vem sem conseguir um consenso mínimo em torno de um nome para ser candidato da sigla.
Um movimento não desprezível ontem tentou lançar Michel Temer (PMDB-SP) como nome de consenso do partido. Não deu certo. Nem Michel Temer mordeu a isca. “Já fui traído uma vez numa situação dessas. Só seria candidato se houvesse realmente um cenário em que o partido me apoiasse de verdade e não existissem óbices por parte do governo e dos partidos da coalizão”, analisou o deputado a vários interlocutores ontem à noite.
Convenhamos, esse cenário descrito por Temer não existe na natureza neste momento. Nem há indicações de que possa ser construído.
A traição à qual se refere Temer ocorreu em 2005, quando Severino Cavalcanti teve de deixar a presidência da Câmara (acusado de corrupção) e Aldo Rebelo (PC do B-SP) foi eleito no seu lugar. Parte do PMDB jogou Temer na disputa, mas depois o abandonou.
Os outros dois pré-candidatos do PMDB a presidente da Câmara também enfrentam dificuldades na bancada. Geddel Vieira Lima (BA) é visto como cristão-novo no lulismo. Além disso, contra a sua vontade, carrega agora a pecha de que estaria na parada apenas para ficar com alguma recompensa –de preferência, um ministério. Geddel se irrita quando ouve essa versão, que reputa completamente fantasiosa. O fato é que seus inimigos criaram a história e a espalharam. Resta ao baiano ficar explicando. E, em política, como se sabe, tudo que tem de ser explicado não é bom.
Eunício Oliveira (PMDB-CE) é o terceiro nome do partido para a presidência da Câmara. Já foi ministro de Lula e não pode ser acusado de arrivista. Mas assim como Geddel o nome de Eunício sofre algumas resistências dentro da bancada. Não há indicações de que o partido seguirá unido em torno do cearense.
Resumo da ópera: o PMDB marcou para terça-feira uma reunião que ninguém sabe para que servirá, pois não há, no momento, a menor condição de o partido chegar a algum tipo de entendimento interno a respeito.
Governo toma sova na eleição para o TCU
A “coalizão programática” de Lula começou mal, muito mal. O deputado Aroldo Cedraz (PFL-BA) foi eleito pela Câmara para ser o novo ministro do TCU (Tribunal de Contas da União). Teve 172 votos contra 148 de Paulo Delgado (PT-MG). Gonzaga Mota (PSDB-CE) teve 50 votos. Ademir Camilo (PDT-MG) registrou 20 apoios. A soma dos votos contra Delgado dá 242. Em resumo, uma catástrofe para o Palácio do Planalto.
JOSÉ JANENE É ABSOLVIDO
O deputado federal José Janene (PP-PR), acusado de envolvimento no mensalão, foi absolvido na noite desta quarta-feira, em votação no plenário da Câmara dos Deputados. Foram 210 votos a favor da cassação e 128, contra. Para um deputado ser cassado são necessários 257 votos (metade mais um dos 513 deputados votantes). Janene foi acusado de receber R$ 4 milhões de contas do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza. Do total de 366 parlamentares votantes, houve 5 votos em branco e 23 abstenções. Não houve votos nulos. Janene era o único dos 19 parlamentares acusados de participar do mensalão que ainda não tinha sido julgado. O Conselho de Ética já havia recomendado a cassação do "mensaleiro" em junho deste ano. Dos acusados de envolvimento no esquema, foram cassados José Dirceu, Roberto Jefferson (PTB-RJ), que denunciou o mensalão, e Pedro Corrêa (PP-PE). Quatro parlamentares renunciaram para fugir do processo e 11 foram absolvidos.
Caro leitor: o que devemos pensar?!
HUGO CHÁVEZ
Chávez: um novo conceito de propriedade (???)
O cara aí do lado tem um novo conceito de propriedade privada...
Chávez veio falar com o presidente Lula. No Estadão de hoje, há uma reportagem, da agência AP, bastante interessante. Será que ele vai tentar convencer o Apedeuta a seguir o caminho? Leiam: “A reforma constitucional que o presidente Hugo Chávez promete promover na Venezuela consagrará os conceitos de 'propriedade coletiva' e 'propriedade social', vai aceitar a propriedade privada com exceções, criará regras que permitam a imposição de 'preços justos' e redefinirá as formas de organização do Estado, alterando, por exemplo, os papéis dos ministérios. A informação é do deputado governista Carlos Escarrá, que deve estar à frente da comissão do Parlamento venezuelano responsável pela reforma. 'A Carta Magna deve se adaptar ao novo modelo de sociedade que está sendo definido', disse o deputado, numa entrevista publicada pelo jornal El Universal, no dia em que Chávez chegou ao Brasil para uma visita oficial. 'Vamos passar de uma economia neoliberal para uma economia social', acrescentou Escarrá, ex-ministro do Supremo Tribunal de Justiça venezuelano.”
FRASE
Do prefeito César Maia (PFL), referindo-se à relação do PT com a imprensa.
COLUNA
AOS NOBRES EDIS
O que a Câmara faria se o prefeito fosse também o Presidente da Câmara e fiscalizasse seus próprios atos?
Pois é: na Secretaria de Saúde isso já acontece. Como comentei aqui há algum tempo atrás, o Secretário de Saúde continua presidindo o Conselho de Saúde. Ora, o Conselho tem a função de fiscalizar os atos da Secretaria, então, como pode o secretário ser o presidente e fiscalizar seus próprios atos?
AOS NOBRES EDIS 2
A presidência do Conselho sendo ocupada pelo Secretário de Saúde abre questionamentos: há algo a esconder ou não há gente capacitada para realizar uma fiscalização isenta e transparente como determina a Lei?
CURIOSIDADE
Maiores cidades do mundo:
1ª - Mumbai (Índia)
2ª - Karachi (Paquistão)
3ª - Deli (Índia)
4ª - Shangai (China)
5ª Moscou (Rússia)
6ª - Seul (Coréia do Sul)
7ª - São Paulo (Brasil)
8ª - Istambul (Turquia)
HUMOR
De José Simão:
O PT dançou no Ministérico do Lula. Os companheiros vão ficar vendo estrela! A única pasta que o PT vai pegar é uma pasta de dente. Só vai sobrar pasta Colgate pros petistas! Sabe o que significa PT, agora?! Perda Total. Ou como diriam os companheiros: "perca total"!
O Lula está coligando com todo mundo. Ele tem nove dedos, mas faz tanta aliança!
Dizem que a dona Marisa parece boneca de carnaval de Olinda: vai em tudo quanto é evento, balança, balança, mas não fala nada!
Cartilha do Lula
Xaveco: companheiro Lula que pensa que é amigo do Chávez. É um xaveco furado!
HUMOR 2
Controlador de vôo que atrasa não adianta
Castelo
Então fica assim, os Três Poderes são - o Legislativo, o Executivo e a Corrupção.
Millôr
REFLEXÃO
"O melhor caminho para se experimentar abundância consiste em parar de se preocupar com aquilo que está errado e começar a ser genuinamente grato por aquilo que está indo bem. A razão para isso é que aquilo em que uma pessoa se focaliza é exatamente aquilo que irá crescer." Ted Danson
04 dezembro 2006
PREVIDÊNCIA, REFORMA OU GESTÃO EFICIENTE?
Reformar ou não a Previdência Social é uma decisão que persegue os governos, mesmo os que resistem à idéia. Quase sempre as razões para fazê-lo baseiam-se no crescente déficit e na necessidade de corrigir erros e vícios resultantes da construção de diversos regimes. As correções ou reformas acabam sendo minimizadas diante das dificuldades políticas em alterar uma área que afeta a vida de milhões de pessoas.
Propostas são freqüentes, quase sempre parciais e sem visão global do sistema. Há vários dias, por exemplo, especula-se a volta da idade mínima para aposentadoria no INSS. Outra iniciativa recente, de 90 entidades empresariais e de trabalhadores, sugere um novo modelo de Previdência, com regime de capitalização, para quem ganha acima de três salários mínimos, vinculando o valor da aposentadoria à poupança.
A capitalização, na verdade, foi defendida, há quinze anos, pelo Banco Mundial e se assemelha ao que já está definido em emenda constitucional para o regime dos servidores públicos, embora sem regulamentação. Na lista de propostas, consta, ainda, aplicar o “fator previdenciário” na concessão da aposentadoria para os servidores; um critério adotado pelo INSS que combina idade do segurado, tempo de contribuição e expectativa de sobrevida do beneficiário.
Além de enfocarem regimes diferenciados, essas sugestões, nos itens estruturais, pretendem atingir os novos trabalhadores que ingressarem na Previdência. Isso significa um impacto sobre as despesas somente em trinta anos. Então, o que fazer com o déficit até lá? Aliás, se há ou não um déficit é uma questão a ser esclarecida. Porém, independentemente de esclarecimentos, as regras que fogem dos fundamentos e princípios usados na construção de um regime previdenciário devem ser corrigidas.
Ao contrário do que se pensa, o Regime Geral (chamado de INSS) é o que menos precisa de alterações estruturais e para o qual há três linhas de ação: melhor gerenciamento; inclusão de parte dos trabalhadores informais; e reestruturação dos serviços de perícia médica. O sistema é composto por mais três regimes, com problemas e peculiaridades: o dos servidores públicos, o dos fundos de pensão e o dos militares, incluindo as polícias militares.
Como disse o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Armando Monteiro Neto, reconhecer a complexidade do sistema é o primeiro passo para acertar, pois não existe uma solução mágica para corrigi-lo, tampouco duas ou três medidas pontuais. Para isso, são imprescindíveis ajustes estruturais, combinados com ações gerenciais permanentes.
Entretanto, reformar o sistema previdenciário é uma decisão politicamente difícil, considerando os desgastes que pode trazer para os governos. Em vários momentos da História foram apresentadas soluções para Previdência Social, mas as dificuldades surgiram ou na aprovação dos projetos no Congresso ou na capacidade de gerenciar a implantação das medidas. Ou seja, além de boas idéias também tem que haver eficiência gerencial.
A doutrina e os fundamentos universais viabilizam a elaboração de um projeto técnico. A maioria dos países quando faz reformas conta com sistemas bem-estruturados e administrados, por isso, ao surgirem problemas são feitas alterações, como aumentar idade para obtenção de benefícios, aumentar o valor da contribuição ou reduzir o valor dos benefícios. Já no Brasil, onde o sistema foi mal construído, ainda há muito a fazer, não obstante o êxito de algumas alterações nos últimos 15 anos.
Claro que idade mínima é um dos fundamentos do regime. No caso das aposentadorias do Regime Geral, ela deixou de existir com a adoção do fator previdenciário. Agora, volta a ser discutida, assim como a igualdade para a aposentadoria entre homens e mulheres. Vale lembrar que, em 70% dos países, a Previdência não faz distinção entre os sexos neste quesito.
A idade mínima é um aspecto estrutural a ser considerado para o equilíbrio do sistema. Mas há, ainda, questão do gerenciamento, com redução de fraudes, desvios e corrupção; da melhoria da arrecadação; da reestruturação do sistema de perícias médicas, pela importância na geração de novos benefícios; e, sobretudo, o avanço do mercado informal. Um sistema no qual quem trabalha paga a conta de quem está inativo, não pode ter futuro se a metade da força de trabalho do País está na informalidade.
É uma decisão política difícil, concordo, mas, de qualquer forma, as soluções em pouco afetarão os trabalhadores do INSS, cabendo aos demais regimes alguns anos a mais de trabalho.
*Deputado federal (PMDB – PR) e ex-ministro da Previdência Social
PERGUNTE AO PÓ
"Assaltantes tomaram um prédio perto do meu. Isso tudo só aconteceu, de acordo como teorema da polícia, porque negligenciei a tarefa de cheirar minha cota social de cocaína, para redistribuir renda pelos morros cariocas. Lula? Sim,há Lula nessa história. Ele é um estado mental"
Cheire pó. Quanto mais, melhor. Há um aumento da criminalidade no Rio de Janeiro. A polícia diz que é porque os ricos passaram a consumir menos drogas. A partir do momento em que os ricos passaram a consumir menos drogas, os traficantes pobres foram obrigados a recorrer a outros meios. Daí o atual aumento de assaltos, seqüestros e assassinatos, segundo a polícia.
Até outro dia se dizia o contrário. Dizia-se que era o consumo de drogas dos ricos que alimentava a criminalidade dos traficantes pobres. Se os ricos consumissem menos drogas, a criminalidade diminuiria. É complicado saber o que fazer. Se a gente cheira pó, metem bala na nossa cabeça porque a gente cheira pó. Se paramos de cheirar, metem bala porque paramos de cheirar. A única certeza é que os culpados somos sempre nós. E que uma bala atingirá nossa cabeça. É o catch-22 do socialismo moreno.
Na semana passada, assaltantes tomaram um prédio perto do meu. Fizeram reféns, esvaziaram apartamentos, espancaram moradores. Isso tudo só aconteceu, de acordo com o teorema da polícia, porque negligenciei a tarefa de cheirar minha cota social de cocaína, para redistribuir renda pelos morros cariocas. Os assaltantes enganaram o porteiro fazendo-se passar por oficiais judiciários. Coincidentemente, naquele mesmo dia, num intervalo de dez minutos, dois oficiais judiciários bateram à minha porta, porque fui denunciado por uns comparsas de Lula.
Lula? Sim, há Lula nessa história. Como em todas as outras. Muita gente reclama porque eu falo demais sobre ele. Está todo mundo cheio do Lula. Ninguém mais quer saber dele. E o segundo mandato ainda nem começou. Nos últimos dias, um leitor publicou até uma carta aberta na internet, pedindo-me a delicadeza de mudar de assunto. Compreendo perfeitamente o sentimento. Lula cansa, aborrece, enauseia. Só que ele é como droga. Se a gente a consome, se dana. Se pára de consumi-la, se dana do mesmo jeito.
Lula – o meu Lula – já não é mais o presidente Lula. É um estado mental. É o símbolo da nossa incapacidade de pensar direito. É o gremlin que emperra o país. Cedo ou tarde o presidente Lula será esquecido. Até mesmo por mim. Nem os lulistas se lembrarão dele. Porque ele é desimportante. Mas seu espírito atarantado continuará entre nós, com outro nome, com outra cara. Euclides da Cunha disse tudo o que era necessário dizer sobre a nossa raça.
Lula – o meu Lula – é a mais perfeita síntese euclidiana. Ele representa o "temperamento delirante", o "senso moral deprimido", o "fetichismo bárbaro", a "servidão inconsciente", a "preguiça invencível", o "desequilíbrio incurável", a "fealdade", a "psicose coletiva", a "degenerescência intelectual" que nos impediu de viver "num meio mais adiantado".
Euclides da Cunha sentenciou: "Ou progredimos, ou desaparecemos". O Brasil o desmentiu: nem progrediu, nem desapareceu. Ficou parado numa "fase remota da evolução". Eu parei. Nós paramos. Lula parou. Para sempre.
30 novembro 2006
HUMOR
O PT dançou no Ministérico do Lula. Os companheiros vão ficar vendo estrela! Rarará! A única pasta que o PT vai pegar é uma pasta de dente. Só vai sobrar pasta Colgate pros petistas! Rarará! Sabe o que significa PT, agora?! Perda Total. Ou como diriam os companheiros: "perca total"! Rarará!!!
26 novembro 2006
MORALES CRIA LEI QUE PERMITE A DESTITUIÇÃO DE GOVERNADORES
A proposta foi um dos motivos que levaram os governadores da oposição – seis dos nove Departamentos da Bolívia – a romper com o governo, sob o argumento de que suas cabeças estarão em mãos da maioria governista no Congresso. Juntos, os Departamentos – entre os quais o mais rico do país, Santa Cruz – representam 80% dos cerca de 9 milhões de bolivianos.
O projeto de lei tem quatro artigos e precisa ser aprovado por dois terços dos parlamentares – ou seja, com votos da oposição. O ponto mais polêmica é o artigo que permite ao Congresso interpelar e, se comprovadas irregularidades, aprovar moções de censura contra governadores. Nesse caso, o governador censurado é obrigado a renunciar. Caberia ao presidente decidir se ele fica ou deixa o cargo.
Os seis governadores convocaram uma reunião para definir uma estratégia conjunta.
Fonte: CD
PREVI
Não é à toa que os Fundos de Pensão rondam os sonhos de muitos políticos, e também trocas intermináveis de acusações entre Partidos.
FAZENDO FALTA
Desde então, travou uma batalha judicial com a emissora, a quem cobra uma indenização milionária pela quebra de contrato.
Mas, seu retorno às telas está praticamente definido. Boris volta à TV a partir do início do ano na Rede CNT. Mas, provavelmente não apresentará telejornal.
Boris Casoy é um âncora bastante expressivo, porém, na Record ficava um tanto quanto "controlado". Esperamos que nesse novo espaço ele possa emitir suas opiniões, sempre tão vibrantes, sem nenhuma censura.
Sem dúvida, o seu "é uma vergonha!" faz falta.
FRASES DA SEMANA e notas
LULA
Reeleito, Lula continua sem saber de nada.
Será que algum dia ele vai saber que foi presidente?
"Não sou contra as medidas assistencialistas, desde que provisórias e que apontem o rumo da porta de saída, de modo que o beneficiário possa ficar independente das benesses do poder público e dispor de meios para gerar a própria renda."
FREI BETTO, frade dominicano e escritor
Frei Beto é amigo de Lula. O presidente bem que poderia aceitar sua dica.
"O PT é uma coisa horrível. O que é o PT? Sindicalista, Igreja Católica de sacristia e guerrilheiro. Não podia dar certo."
CLÁUDIO LEMBO, governador de São Paulo, em entrevista a Jô Soares
"Corre a informação de que você casou virgem. É verdade?"
JÔ SOARES, para o governador paulista Cláudio Lembo
"É possível!"
CLÁUDIO LEMBO, respondendo a Jô
O governador é sempre um show à parte.
"O Waldir Pires vai acabar como ministro da Defesa do Palmeiras!"
JOSÉ SIMÃO, colunista da Folha de S.Paulo, sobre o fraco desempenho do ministro da Defesa no caso do apagão aéreo
O ministro da Defesa só defende o caos aéreo. É o próprio apagão.
OS MICHÉIS TÊMERES
"O que intriga é que os dois Michéis Têmeres poderiam vir a público revelar sua dupla existência. Qual o problema? Gêmeos não podem ser políticos?"
Estão fazendo uma injustiça tremenda com o deputado Michel Temer, o presidente do PMDB. E tudo porque ele apoiou o tucano Geraldo Alckmin até o último minuto da campanha presidencial e acaba de declarar apoio ao petista Luiz Inácio Lula da Silva antes de começar o primeiro minuto de seu segundo mandato. É uma injustiça porque, nos bastidores da política em Brasília, se comenta abertamente que Michel Temer não é um só. Pois é: existem dois Michéis Têmeres. Ambos têm 66 anos, ambos presidem o PMDB, ambos se elegeram agora para deputado federal com 99 000 votos – mas são dois.
No peito de um Michel Temer sempre bateu um coração meio petista. Há um Michel Temer que sempre quis integrar o governo de Lula. Sempre. No início do primeiro mandato, quando o então todo-poderoso José Dirceu negociava a adesão do PMDB ao governo, um entusiasta da negociação era justamente Michel Temer, o petista. E na semana passada quem se sentou à mesa com Lula e anunciou a adesão do PMDB ao governo foi o mesmo Michel Temer, o petista. Não se deve confundi-lo com o outro Michel Temer, em cujo peito sempre bateu um coração meio tucano. Esse outro Michel Temer é que subiu no palanque de Geraldo Alckmin. São dois. São gêmeos.
O que intriga a política brasiliense é que os Michéis Têmeres poderiam vir a público revelar sua dupla existência. Qual o problema? Gêmeos não podem ser políticos? Gêmeos não podem ter preferências políticas diferentes? Em vez disso, os dois Michéis Têmeres insistem em tentar enganar a platéia como se fossem um só. Não se dão conta de que é esse disfarce que gera a injustiça. Agora mesmo, antes de ser chamado para conversar com Lula no Palácio do Planalto, Michel Temer andava irritado. Irritado porque o presidente não o chamava nunca. Alguém lembrou: "Ele também não pode querer que o Lula esqueça que menos de um mês atrás ele estava com Alckmin no Vale do Anhangabaú". Injustiça. Quem estava lá era Michel Temer, o tucano. Quem andava irritado com a demora de Lula era outro Michel Temer, o petista.
Um dos mandamentos básicos para esconder a existência de dois Michéis Têmeres é nunca, jamais, dizer qualquer coisa que seja muito clara. Assim, um Michel Temer não compromete o outro Michel Temer. Confira no seguinte diálogo:
Veja – Por que o senhor apoiou Alckmin?
Temer – Eu ouvia dizer que o partido inteiro estava com Lula. Como não era assim, resolvi restabelecer a verdade. O PMDB ficou dividido e declarei o meu apoio ao Geraldo Alckmin, a quem eu sempre fui mais ligado.
Veja – Por que o senhor agora apóia Lula?
Temer – Agora, identifiquei que a grande maioria gostaria de atender aos apelos do presidente para que o PMDB ingressasse no governo. O que eu fiz foi ser coerente com a decisão do PMDB de apoiar o governo.
Os dois Michéis Têmeres estão sempre a serviço de evidenciar a vontade partidária: vira tucano para mostrar a divisão, vira petista para mostrar a união.
Não é um disfarce perfeito?
SEM RITMO NEM AFINAÇÃO
"Caminhamos com passos atrapalhados num samba de incerto destino"
Como cidadãos deste país, devemos dedicar alguns pensamentos a quem comanda nosso destino cívico: o novo Congresso, onde vão se produzir grandes consensos – o maior deles, o silêncio sobre nossos mais candentes problemas. Como o fato de que nosso índice de desenvolvimento humano (IDH) desceu mais uma vez: fomos para a 69ª posição, perdendo para vizinhos como Uruguai (43ª), Chile (38ª) e Argentina (36ª). Segundo estudos do Banco Mundial, entre 175 países é no Brasil que se gasta mais tempo para cumprir obrigações fiscais: 2.600 horas por ano por empresa, 800% a mais do que a média dos outros países. Somos campeões na desigualdade social e um dos países que menos crescem no mundo, perdendo só para o Haiti, na América Latina. Embora a equipe do governo trabalhe para garantir o crescimento de 5% do PIB a partir de 2007, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), vinculado ao Ministério do Planejamento, estima uma expansão dessa magnitude somente para 2017. O estudo estava pronto antes das eleições, mas só agora vem sendo divulgado. Comentário de uma alta autoridade: "Ora, o Ipea é só um órgão de estudos..."
Nosso dinheiro duramente ganho (quando temos emprego) vai sobretudo para os impostos, que comem 113 dias de trabalho da classe média, a qual, embora seja a menor parcela da população, é responsável por 60% da arrecadação. O que resta entra no ralo dos serviços que o Estado deveria fornecer de boa qualidade, mas que nós pagamos: gastos com saúde, educação, segurança, previdência privada e pedágios devoraram 31% dos ganhos da tão atacada classe média em 2006. Nós, os professores, bancários, jornalistas, donas-de-casa, balconistas, secretárias, motoristas, que mantemos este país andando.
Na corrupção, segue animado o baile de máscaras: ninguém fornece dados que permitam processar responsáveis pelo dossiê Cuiabá. Há um assunto de cartilhas que mal consegue emergir; é logo abafado. Sem falar no mensalão, nos sanguessugas, no dinheiro mal aplicado de muitas ONGs, nos escândalos do INSS e outros. Naturalmente o Brasil só podia ter piorado nesse ranking: segundo a Transparência Internacional, passamos para o septuagésimo lugar entre os países mais corruptos, acima apenas da Argentina, do Paraguai, da Venezuela e do Equador.
Com o país caindo aos pedaços, aviões começaram a fazer o mesmo, ou quase. Nota atualíssima nos diz que só neste ano houve iminência de três colisões nos céus brasileiros – fato gravíssimo! O que está acontecendo em aeroportos e nos ares é o inimaginável fruto do descaso, da desorganização, da falta de autoridade e consenso, brincando com vidas humanas: a próxima pode ser a minha, a sua, a de pessoas que amamos. O governo reduziu gastos com a segurança aérea e vai investir só 40% do necessário em infra-estrutura nesse setor. Sofrendo pela falta de preparo (só 3% falam inglês elementar), treinamento e atividade mais racionalizada, os controladores de vôo afirmam que trabalhar nas condições em que trabalham é um pesadelo.
Tendo diminuído também os gastos em educação, que deveria ser, junto com saúde e segurança, nossa prioridade absoluta, descemos mais um lance dessa ladeira íngreme. Aumenta o número de jovens chegando ao mercado de trabalho sem qualificação, portanto desempregados. Da população entre 15 e 25 anos, quase 40% não completaram nem o ensino fundamental. Nem vão concluir: o número de jovens assassinados é maior do que nas guerras. Nunca vimos tanta gente morando nas ruas e praças, tantas crianças e jovens pedintes, tantos drogados criminosos, jamais a insegurança grassou de tal maneira em nossas cidades e no campo, nunca fomos tão claramente reféns da violência quase descontrolada. O Brasil também atrai menos investimentos estrangeiros, e caiu do sexto para o 13º lugar na lista dos que mais receberam projetos. A falta de investimento estrangeiro no Brasil colabora para o desemprego, e o país vai perdendo cada vez mais a corrida da competitividade.
Energia elétrica, rodovias, portos, aeroportos, vivem sob a ameaça de apagão geral. A participação da iniciativa privada em obras foi regulamentada neste ano, mas nenhum processo foi concluído: vivemos no reino do papel, como é de fantasia a riqueza que os políticos querem distribuir e ainda nem foi gerada. Quem pode foge, como os imigrantes da Grande São Paulo que começam a retornar às terras de origem, no Norte e no Nordeste: lá, afirmam, podem viver do Bolsa Família.
Comentários de uma inesperada catastrofista? Engano: nada do que escrevi acima é meu. Como qualquer alfabetizado pode fazer, colhi frases recentes de nossa imprensa – que precisamos cada vez mais livre, para iluminar nossos passos atrapalhados num samba de incerto destino, sem ritmo nem afinação.
A IMPRENSA LUBRIFICADA
"Dudu Godoy é sócio da agência queatende a Petrobras. Hamilton Lacerdarecebeu uma chamada do celular de Dudu. O que ele disse a Hamilton? Propôs umpacote publicitário para a IstoÉ?"
Quando a IstoÉ publicou a entrevista com o chefe dos sanguessugas, sugeri que ela poderia ser recompensada com anúncios da Petrobras. Ninguém deu bola para o assunto. Na ocasião, indiquei o nome dos intermediários: Hamilton Lacerda, assessor de Aloizio Mercadante, e Wilson Santarosa, diretor de marketing da Petrobras. Agora a CPI dos Sanguessugas revelou que os dois trocaram dezenas de telefonemas no período de negociação do dossiê contra os tucanos. A CPI quer saber se o dinheiro para comprar o dossiê saiu da Petrobras. É perda de tempo. O que a CPI deveria investigar é se o dinheiro da Petrobras foi usado para comprar a cumplicidade da IstoÉ.
Na última quarta-feira, encontrei mais um dado comprometedor para a Petrobras. Analisando os telefonemas de Hamilton Lacerda, em poder da CPI, descobri que ele recebeu uma chamada do celular de Dudu Godoy. Dudu Godoy é um dos sócios da Quê, a agência de propaganda que atende a Petrobras e controla a verba publicitária da empresa. O telefonema de Dudu Godoy para Hamilton Lacerda ocorreu em 5 de setembro, às 15h33. Dois dias depois, em pleno feriado de 7 de setembro, Hamilton Lacerda foi à IstoÉ para combinar a entrevista com o chefe dos sanguessugas. Dudu Godoy fez carreira em Campinas, assim como Wilson Santarosa, que presidiu o sindicato dos petroleiros local. Em 1998, ele foi um dos marqueteiros da campanha de Lula à Presidência. A seguir, passou a trabalhar para Marta Suplicy e Zeca do PT. O que é que Dudu Godoy disse a Hamilton Lacerda? Ele propôs um pacote publicitário para a IstoÉ?
Um dos articuladores da entrevista com o chefe dos sanguessugas disse que a IstoÉ foi escolhida para publicá-la porque os petistas "estavam em guerra" com o resto da imprensa. Quem também está em guerra com o resto da imprensa é o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli. Na semana passada, ele acusou o Globo e a Folha de praticar "jornalismo marrom". Isso porque os jornais ousaram publicar reportagens mostrando o favorecimento da estatal a ONGs e empreiteiras ligadas ao PT. O Globo, em editorial, atacou: "Nunca como no governo Lula a Petrobras foi tão usada como aparelho partidário e instrumento de propaganda".
O fato é que a Petrobras não favorece apenas ONGs e empreiteiras ligadas ao PT. Ela favorece também a imprensa caudatária do governo. De maio a setembro de 2006, segundo o levantamento de Reinaldo Azevedo, a IstoÉ veiculou 58 páginas de anúncios da Petrobras. Neste ano, pelos dados do Ibope Monitor, foram 2,6 milhões de reais investidos pela estatal na IstoÉ. Carta Capital lucrou ainda mais, proporcionalmente à sua tiragem. Foram 789.000 reais. Na TV aconteceu algo semelhante. A Bandeirantes, depois de ceder um canal ao filho de Lula, tornou-se a segunda maior arrecadadora de comerciais da Petrobras, na frente do SBT e da Record, faturando mais de 20% do total destinado pela empresa às emissoras de TV. Detalhe: o diretor de marketing da Petrobras, Wilson Santarosa, é também o presidente do conselho deliberativo da Petros, o fundo de pensão da Petrobras. Um de seus colegas na diretoria da Petros, Jacó Bittar, é o pai dos sócios do filho de Lula.
O petismo está em guerra com a imprensa. Esse negócio vai acabar mal.
22 novembro 2006
POR QUE OS PREFEITOS CHORAM?
Analisando a evolução dos repasses do FPM, no período entre 2002-2005, pode-se observar que houve um aumento significativo no repasse, da ordem de 47,95%; houve, ainda, aumento no repasse da merenda escolar de R$ 0,13 para R$ 0,22; no repasse do valor do PAB de R$ 11,00/hab/ano em 2001 para 13,00/hab/ano em 2004.
Analisando estes indicadores, poderíamos afirmar que a situação financeira dos municípios melhorou consideravelmente. Então por que choram os prefeitos?
Quando da promulgação da Constituição Federal (CF) de 1988, os municípios recebiam 12% da carga tributária nacional; em 1991 com a implementação dos dispositivos constitucionais, esta participação chegou a 19,5%.
De 1994 para cá - com a implantação do Plano Real e criação de diversos mecanismos de salvaguarda para a União, a exemplos: aumento do COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) em 400%, entre 1998 e 2005; criação do CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), que arrecadou apenas em 2005, R$ 30 bilhões, sem qualquer repasse para os municípios; e aumento da CSLL (Contribuição sobre o Lucro Líquido) da ordem de 200%. Com estes mecanismos de contribuição que os municípios não tem participação, a contribuição dos municípios foi sendo corroída até chegarmos ao patamar atual de 15,9% de participação no bolo da CT – Carga Tributaria nacional
O grande complicador para os municípios é que, diversos programas criados pelo Governo Federal, são de fato executados pelos municípios, vejamos: PSF, programa do Ministério da Saúde que repassa R$ 8.100,00 por equipe do PSF composta de médico, enfermeira padrão e um técnico de enfermagem. Ocorre que, na realidade, esta equipe custa para as prefeituras R$ 16.200,00, média nacional/CNM. Os municípios arcam com uma diferença de R$ 8.100,00 mês/equipe, anualmente chega-se um gasto extra para cada equipe do PSF de aproximadamente R$ 97.200,00.
Programa Agente Comunitário de Saúde: o governo repassa R$ 350,00 por agente, o município arca com os recursos para pagar o INSS e férias.
Programa Merenda Escolar: o repasse saltou de R$ 0,13 em 2003 para R$ 0,22 por aluno em 2006, ocorre que, seu custo não sai por menos de R$ 0,76/aluno/dia segundo a CNM, levando os municípios a arcar com uma diferença de R$ 0,54 por aluno dia.Programa Peti e Bolsa Família: são recursos da união, mas os municípios têm que arcar com sua implementação o que também gera custos, exemplos: operacionalização com pessoal, material de expediente, transporte e telefone/internet, que, ainda, segundo estimativa da CNM, representa 44% de contrapartida dos municípios.
Talvez sejam estas as causas da choradeira dos prefeitos, enquanto o governo federal aumenta sua arrecadação através de contribuições sociais, os municípios padecem sem direito a parte destes recursos, e ainda arcando cada vez mais com programas que deveria ser custeado integralmente pela União.
FHC: PROPOSTA PARA ENCONTRAR LULA "É UMA BOBAGEM"
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso repreendeu ontem o senador Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB no Senado, por ter revelado à imprensa um presumido futuro convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao seu antecessor para uma conversa no Palácio do Planalto. A informação, publicada domingo com exclusividade pelo Estado, irritou FHC. Ontem, o tucano comentou em São Paulo com amigos que Lula está perplexo, 'sem agenda' e 'sem capacidade de articulação' para montar o seu futuro governo. A proposta feita por Lula a Virgílio causou muitas reações na base oposicionista. O governador reeleito Aécio Neves (MG) disse em Belo Horizonteque não se negará a conversar com Lula sobre o crescimento do País, mas deixou claro que o gesto 'não se trata de conciliação'. O governador eleito José Serra (SP) afirmou que, se for convidado, irá, mas a agenda da conversa deve ser proposta por Lula. A governadora também eleita Yeda Crusius (RS) disse que aceita discutir a reforma tributária 'desde que o governo federal mostre antes qual é a contribuição que vai dar'. 'Isso (o convite) é uma bobagem', disse FHC a amigos ontem, ao justificar a repreensão feita a Virgílio por telefone. FHC julgou uma impropriedade que o eventual convite tenha sido divulgado antes que o convidado fosse informado e que o anfitrião divulgasse a agenda do encontro. O ex-presidente relatou a amigos que, apesar da vitória retumbante em outubro, Lula tem mostrado sinais de desorientação porque, aparentemente, não está sabendo elaborar uma agenda de alto nível para seu segundo governo nem mostrar consistência na articulação política. Ele comentou que o petista falha ao organizar a sua base política e não consegue sequer harmonizar a sua base original. FHC julgou que a proposta de Lula para conversas no palácio tem a aparência de um factóide, cortina de fumaça para encobrir a sua incapacidade de construir uma agenda e de montar uma sólida base política de apoio. Ele disse a amigos que não tem nada a conversar com o atual presidente antes de receber um convite formal e ver anunciada a pauta da conversa.”
16 novembro 2006
SENADO APROVA PERÍODO ESCOLAR DE OITO HORAS
Se Câmara aprovar projeto, Estados e municípios terão 5 anos para se adaptar e contarão com auxílio da União.
A Comissão de Educação do Senado aprovou na última terça-feira (14), por unanimidade, um projeto que institui o turno integral de 8 horas nas escolas de ensino fundamental. A proposta dá cinco anos a Estados e municípios para se adaptarem à lei e prevê que a União vá ajudar financeiramente prefeitos e governadores. Por ter sido aprovado em caráter terminativo, o projeto não precisa passar pelo plenário do Senado e vai direto para a Câmara.
Se ele for aprovado pelos deputados - o que é muito provável -, a ajuda da União será realmente necessária. A conta feita pelo relator, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), é que seriam necessários R$ 7 bilhões no primeiro ano e R$ 20 bilhões por ano, além do que já é investido hoje, para alcançar o que propõe o projeto. 'É apenas 50% a mais do que se investe hoje. Tem que ser assim ou não se faz', defendeu o senador. 'Se em cinco anos não se consegue, então o presidente pede desculpa. Não se pode é ficar alongando a coisa para ele (o presidente) comemorar o pouco que fez.'
A proposta prevê que, das 8 horas, as crianças passem 5 em sala de aula. O restante seria dividido entre refeições e atividades extra-classe, incluindo oficinas de arte, esportes e auxílio pedagógico. Atualmente, a média de horas-aula no País é em torno de 4. Mas em alguns municípios e Estados chega a ficar abaixo disso.
15 novembro 2006
DESVIO DE FUNÇÃO
No lugar de se prestar a ser usado de novo por Hugo Chávez, desta vez como cabo eleitoral, o presidente Lula faria um bem à sua biografia e ao destino do segundo mandato se se dedicasse a entender o que se passa de fato no sistema de tráfego aéreo, a fim de fornecer à população a explicação - e, se possível uma solução - que nem a Aeronáutica nem o Ministério da Defesa conseguem dar para os constantes, e pelo visto perenes, atrasos de vôos nos aeroportos dos quais tanto se orgulha.
Se o presidente ainda não percebeu, não se trata de um assunto atinente às necessidades das 'elites'. São negócios adiados, tarefas não cumpridas, urgências canceladas, o turismo prejudicado, milhões de pessoas na condição de verdadeiros reféns de uma crise envolta em mistérios sobre os quais o governo federal não demonstra empenho em lançar luz.
Lula age como se não fosse com ele, como se o assunto não guardasse relação com a gestão governamental, como se o transporte aéreo não fosse uma questão de Estado e de segurança nacional num país das dimensões do Brasil.
As justificativas apresentadas até agora são mais que insuficientes, configuram-se pueris. Por exemplo: se, como diz a Aeronáutica, o problema é de falta de pessoal e de aumento do tráfego aéreo, por que os vôos saíam no horário até 20 dias atrás? O que houve nesse período?
Se a obediência estrita às normas de segurança provoca tal desorganização no serviço é sinal óbvio do, até então, estado permanente de insegurança dos vôos. Sob o gentil patrocínio do poder público.
Com seu destino político resolvido, na primeira etapa da crise, o presidente fez uma reunião, exigiu providências e foi à praia de Aerolula, enquanto milhares se estressavam em aeroportos para viajar no feriado de Finados.
Na segunda, Lula estava no palanque de Chávez esbravejando contra a 'incompreensão e o preconceito' sofridos por ele por parte da imprensa, dos banqueiros, do empresariado e de ex-governantes, no intuito de desenhar identificação e proximidade com seu candidato à eleição presidencial da Venezuela. Candidato a um terceiro mandato, diga-se.
O presidente Lula faria um bem à sua biografia e ao destino de seu segundo mandato - que ficará para o registro da história - se descesse dos palanques, nacionais e internacionais, e dedicasse tempo e atenção ao cotidiano dos brasileiros. De todos, mas principalmente daqueles que o reelegeram acreditando na mistificação publicitária segundo a qual os problemas do Brasil serão todos resolvidos se a oposição deixar o homem trabalhar.
Ao trabalho, portanto.
PIB
O Instituto estima que “a perspectiva de crescimento médio para o biênio 2006-2007 é de apenas 3,5% ao ano”. E prevê que até 2010 o PIB oscilará positivamente entre 4% e 4,5%. Desde que o governo adote uma série de medidas duríssimas . A taxa de 5% só viria em 2017. Ou seja, a promessa do presidente reeleito ficará para o sucessor de seu sucessor cumprir.
NORDESTINOS
Todo esse poder deveria ser refletido na região.
REFLEXÃO
"Podemos escolher o que semear, mas somos obrigados a colher aquilo que plantarmos" Provérbio Chinês
A ASTORGA QUE SONHAMOS
O sonho é a mola propulsora para que se atinja qualquer objetivo. Sonhar é preciso, sonhar com um futuro melhor, não só para aqueles que estão ao lado do rei, mas para todos que trabalham para viver e conquistar dias melhores. Acredito que isto seja possível, desde que se tenha visão administrativa empreendedora e coletiva, além disso precisamos olhar para nossa cidade com visão periférica enxergando toda região. Astorga é o maior município dentre aproximadamente 19 municípios que poderiam estar centralizados aqui. Este é um sonho que é possível alcançar, basta querermos e termos competência articuladora para realizá-lo.
Creio que enquanto ficarmos atrelados à realidade de Maringá, na dependência da região metropolitana seremos sempre sombra de uma grande cidade, e ao invés de crescermos e conquistarmos melhor qualidade de vida, retroagiremos. Precisamos nos conscientizar que o que é bom para Maringá nem sempre é bom para Astorga. Nós podemos e devemos ter vida própria para nos transformarmos em pólo regional, concentrando aqui as potencialidades de nossa região, ao invés de fortalecermos o comércio e a indústria de Maringá, Arapongas e Londrina, levando nossos recursos para estas cidades. Precisamos juntos criarmos mecanismos para que estes fiquem aqui, e ainda possamos atrair os da região.
Um sonho só se torna realidade quando acreditamos nele e com competência, união e vontade trabalharmos para realizá-lo.
A cidade que queremos e sonhamos é possível.
12 novembro 2006
A SENSATEZ DO PRESIDENTE
Aliás, o PT já tem o cargo mais importante do governo, que é o de presidente da República. Já é uma boa representação."
Lula, ao explicar a possível diminuição de seu Partido em seu Governo.
LULA ENTENDE DE MATISSE
Entre Deus e Lula, Lula é melhor. Pelo menos para a Rede Bandeirantes. No começo do ano, o bispo R.R. Soares tentou comprar o Canal 21. A Bandeirantes preferiu ceder o negócio à Gamecorp, a empresa do filho de Lula. De lá para cá, segundo os dados do Ibope Monitor, os gastos em propaganda estatal na Bandeirantes aumentaram sem parar. Em 2005, foram 113 milhões e 181 000 reais. Em 2006, só até setembro, atingiram 151 milhões e 593 000 reais. Um salto de 40 milhões de reais. Quem precisa de Deus podendo contar com um parceiro desses?
É moleza manipular os números do mercado publicitário. Por isso a propaganda virou o instrumento ideal para a reciclagem de dinheiro sujo da política. Mas o fato é que o investimento do lulismo na Bandeirantes cresceu anormalmente qualquer que seja o critério adotado, tanto em cifras absolutas quanto no cotejo com as demais emissoras. Do total destinado pelo governo à propaganda televisiva, a fatia da Bandeirantes subiu mais de 50% de um ano para o outro. Considerando-se apenas o período de maio a setembro, depois que a programação do Canal 21 passou para o controle da empresa do filho de Lula, o crescimento foi ainda maior: 60%. Curiosamente, o único dado que permaneceu igual foi a audiência.
Nesse ponto, a Bandeirantes ficou estacionada, como sempre.
Se o Brasil fosse menos bananeiro, a imprensa, os partidos políticos e a Justiça se perguntariam se há algum elo entre os negócios do filho do presidente e o aumento da propaganda estatal na emissora de seus parceiros. Como o Brasil é o que é, o assunto será ignorado. Mesmo que um dos maiores aumentos tenha ocorrido justamente na verba publicitária da Presidência da República, de responsabilidade direta do gabinete de Lula. Em 2005, a Bandeirantes recebeu 5 milhões e 871 000 reais do Palácio do Planalto. Em 2006, até setembro, incluindo o período de recesso eleitoral, foram 10 milhões e 28 000 reais. Quase o dobro.
A agência que cuida da publicidade da Presidência da República é a Matisse. A Matisse nasceu numa sala dos fundos da M7, a produtora de Kalil e Fernando Bittar, sócios do filho de Lula na Gamecorp. O mercado até suspeita que eles sejam sócios ocultos da agência. A verba que o gabinete de Lula destina à Matisse aumenta todos os anos. Foram 3 milhões e 687 812 reais em 2003. 36 milhões e 941 315 reais em 2004. 37 milhões e 882 635 reais em 2005. 59 milhões e 858 210 reais em 2006. O número de 2006 reúne os gastos até setembro, mas o governo já autorizou um acréscimo de 37 milhões de reais para os últimos meses do ano. A Matisse tem outras contas do governo. Coincidentemente, todos os seus clientes estatais passaram a anunciar mais na Bandeirantes. Entendeu o rolo? Lula dá cada vez mais dinheiro à Matisse, que dá cada vez mais dinheiro à Bandeirantes, que deu um canal ao filho de Lula.
O TCU acaba de apontar um buraco de mais de 100 milhões de reais na publicidade do governo federal. O ministro Ubiratan Aguiar chegou a defender o fim da publicidade institucional.
Sorte de Lula o Brasil ser o que é.
MULHERES & PODER
Acho meio triste o espanto provocado por aquilo que as mulheres conquistam ou pelo que lhes acontece de bom, pois isso me parece apenas natural. Não deveria ser inusitado mulher administrar sua vida (na medida em que se administra qualquer coisa nesse terreno...), ser parceira do seu homem em vez de dissimulada inimiga, ser apoio e alegria dos filhos em lugar de complicador, ser, como o homem, uma boa profissional se for a sua escolha. Mas sua saída da relativa sombra ainda causa perplexidade: como reagirão os homens a essa "nova mulher" (termo de gosto duvidoso)? Acho que os bobos se assustam; os interessantes estão encantados com essa parceira. Que mulher haveria de querer parceria com alguém do primeiro tipo?
Há quem duvide de que nem todas conhecemos a opressão masculina. Homem grosseiro, frio ou sarcástico: não conheci isso na figura de meu pai na infância nem conviveria com isso na figura de nenhum companheiro quando adulta. Fui uma criança rebelde, de uma maneira dramaticamente inocente para os padrões de hoje, mas nunca me senti menos amada. Se uma coisa aprendi com meu pai, foi ter dignidade e respeito por mim mesma. Em um de meus livros, fiz-lhe a dedicatória honesta: "A meu pai, Arthur, para quem eu não era só uma criança: era uma pessoa". Não encontrei maior elogio para aquele a quem tanto devo. Por isso talvez, apesar dos medos, fragilidades, carências, mil imperfeições, não precisei cultivar ressentimentos.
Muitas mulheres não tiveram escolha: foram oprimidas e massacradas, sem oportunidade de crescer e florescer como seres humanos; outras se acomodaram e, mesmo tendo saída e recursos, optaram por permanecer nas areias movediças de uma vida frustrante. O resultado explodiria mais tarde, na forma de autovitimização, eternas cobranças, amargura.
É um tema muito interessante esse, de como as mulheres fazem uso do poder que hoje assumem em tantos departamentos da sociedade. Foram educadas para doçura e inaparência, incompletas se não avalizadas por um homem, com medo de parecer inteligentes e fortes, mais ainda de ter dinheiro – pois correriam o risco de ficar sozinhas. Para muitas isso pode parecer anedótico: para a grande maioria, continua a ser um dilema. Mas cada vez mais mulheres se afirmam neste mundo, em tanta coisa medíocre e lamentável. Nem ao menos é novidade: na Idade Média mulheres geriam os feudos enquanto os maridos saíam para as Cruzadas, organizavam sindicatos de tecelãs. Davam aulas de teologia e filosofia em universidades européias; doutoras da Igreja estudavam e escreviam em seus conventos; há menos tempo, mulheres cultas recebiam em seus salões grandes escritores, músicos, pintores, influenciavam seu tempo, escreviam e publicavam livros. Houve porém ondas de obscurecimento, quando parece que eram todas um cortejo vestido de preto e de tragédia, escondidas nos quartos penumbrosos ou nas cozinhas abafadas.
Estamos num momento de nova iluminação. Podemos e devemos nos pensar primeiro como pessoas, depois como homens ou mulheres: grande transformação. E talvez seja preciso rever também alguns conceitos. Um deles é "liberdade", lembrando que toda parceria, sobretudo amorosa, é um dificílimo equilíbrio entre adaptação e firmeza, gentileza e preservação da auto-estima, cuidado e discrição, ternura e respeito. Para os homens, não amar pensando na casa arrumada, na refeição pronta, nas crianças atendidas. Para as mulheres, amar sem visualizar o cartão de crédito, o status de amante ou casada, muito menos algum passaporte para a chamada felicidade. Difícil, eu sei. Viver é difícil. Mas quantos momentos de ternura, de descobertas, de glória, no meio das agruras normais de uma vida normal a dois.
Neste momento de nosso país, de tanta expectativa sobre os rumos que serão tomados, de como vão se realizar (ou não) os anseios de tanta gente, de como o Brasil vai se portar e se manter, mulheres revelam cada vez mais personalidade e força. Assumem, por exemplo, o governo de três estados: eu as imagino trabalhando duro, sem enganar nem fingir; rigorosas nas questões éticas; reconstruindo nossa abalada auto-estima – sem se deslumbrar nem se achar um messias de saias, porque não precisam disso. Elas têm mais o que fazer: perseguem interesses melhores do que os de Narciso.
No misto de curiosidade, receio e generalizada torcida para que a gente avance, progrida e se firme, esse assunto faz parte do positivo.
E da esperança nossa de cada dia.
05 novembro 2006
BAGAÇO DE CANA BARATEIA CUSTO DO CIMENTO
Resíduos da indústria e da agroindústria podem servir de matéria-prima para a fabricação de cimento. As cinzas do bagaço da cana-de-açúcar, da casca do arroz, as raspas de borracha de pneus e a escória da indústria siderúrgica podem ser adicionadas à massa de concreto, proporcionando economia de até 30% no volume de cimento utilizado na obra.
Pesquisas realizadas pela equipe de engenharia da Uniderp, em Campo Grande, coordenadas pelo professor e engenheiro civil Sidiclei Formagini, testaram as cinzas do bagaço da cana-de-açúcar e comprovaram que a adição de 20% a 30% ao cimento aumenta a resistência do concreto e a capacidade de carga em 15%. "É como se na construção de um edifício de 10 pavimentos – utilizando-se o resíduo da cana-de-açúcar – pudéssemos construir um pavimento a mais mantendo o mesmo consumo de aço e de concreto", exemplifica o professor.
Para que as cinzas do bagaço da cana-de-açúcar sejam incorporadas ao cimento é preciso que a moagem da cana e a queima do bagaço sejam controladas a uma temperatura média de 600º C. De acordo com Formagini, a pesquisa conta com a parceria da Universidade Federal do Rio de Janeiro e é inédita na sociedade científica internacional.
Formagini está aplicando as pesquisas na construção da própria residência. O engenheiro civil trocou a cal pela escória da indústria siderúrgica. O material é produzido a partir dos resíduos da produção de ferro-gusa. Para provar que a técnica é eficiente e derrubar o mito de que a escória é corrosiva, ele mistura 1/3 de escória ao cimento para fazer a estrutura da casa e assentar os tijolos.
O mestre de obras Diomir Lazarotto, que trabalha na construção de Formagini, ficou surpreso com a novidade, mas seguiu à risca as orientações do engenheiro. Depois de fazer a fundida da casa, erguer um muro e quatro paredes, ele comprovou a resistência e a durabilidade do concreto. "Funciona mesmo. A massa demora mais tempo para secar, mas fica dura e firme. Para quebrar o concreto seco é muito mais difícil", explica Lazarotto.
Depois de aplicada na construção a diferença da nova mistura é o tempo de secagem. A hidratação da escória é mais lenta, por isso a massa demora duas horas a mais para secar do que o cimento comum. O que para a construção civil é um fator positivo, explica Formagini, "a contração do concreto acontece com menos intensidade, o que diminui o risco das grandes construções trincarem".
A escória usada na obra vem de Ribas do Rio Pardo, município a 110 km de Campo Grande. As sobras da produção de ferro-gusa são trituradas até que fiquem finas como pó e o resultado é a escória. Em contato com a água, o material tem a mesma atividade pozolânica do cimento (endurece depois do contato com água).
Meio Ambiente
O Brasil produz 36,7 milhões de toneladas de cimento por ano. A indústria do cimento é considerada uma das mais poluidoras. De acordo com o Anuário Mineral Brasileiro, no ano passado, durante a produção de cimento foram emitidos 23,9 milhões de toneladas de gás carbônico na atmosfera. O CO² é o gás responsável pelo efeito estufa e pelo aquecimento da terra.
Na última safra de cana-de-açúcar 2005/2006, Mato Grosso do Sul produziu 67 mil toneladas de cinzas do bagaço que vão direto para os tanques de decantação. Parte do material é utilizada na lavoura e o restante jogado nos rios. A utilização destes resíduos pela indústria de cimento evitaria que pelo menos 127 mil toneladas de gás carbônico fossem lançadas na natureza e a cada 35 milhões de toneladas de ferro-gusa produzidas pela indústria siderúrgica sobram 12 milhões de toneladas de resíduos que não são utilizados.
31 outubro 2006
CAMPANHA 'Xô Sarney'
“Coloquei no blog, porque achei uma idéia legal. Eu sempre achei o Sarney um grande mal para este país. Ele não é só um mal para o Amapá. Portanto, já estava na hora dele sair de cena, pelo menos, por aqui. Queríamos devolvê-lo para o Maranhão”.
A campanha “Xô Sarney” entrou na internet, em 25 de agosto deste ano. Logo no dia seguinte, Sarney entrou na justiça para retirar o blog de Alcinéia da rede. “No dia 30, o meu blog estava fora do ar. Resistiu por uma semana. Depois entrei numa rede de hospedagem estrangeira e distribuí a idéia em todo o Brasil e pelo mundo”, contou. Ela acrescentou que com a divulgação na internet, a campanha “Xô Sarney” virou uma febre, pois mais de 50 mil blogs reproduziram a expressão. “O Brasil inteiro aderiu à idéia e muitos colegas que moram no exterior também apoiaram a campanha”, lembrou. Alcinéa Cavalcante contou que Sarney continuou a realizar uma perseguição implacável ao trabalho da jornalista, entrando na Justiça contra tudo que ela escrevia sobre a candidatura dele. Por causa dos processos, no momento, Alcinéa possui uma dívida de mais R$ 600 mil, com os cofres da Justiça. “Eu jamais desistiria de lutar pela liberdade de expressão que é um direito inalienável de todos”. A jornalista comentou que a campanha ajudou a obrigar Sarney a trabalhar para conseguir se reeleger no Amapá. “Ele estava ameaçado de não se reeleger. Daí teve que andar no sol quente, comer poeira nas estradas, pisar na lama, cumprimentar e beijar crianças e idosos. Algo que ele nunca fez antes, pelo menos, por aqui”. Alcinéa ficou muito feliz com o desenvolvimento da idéia da campanha, no slogan: “Xô Rosengana”, que foi difundido, principalmente, pela juventude de São Luís.“A vitória maior foi a derrota de Roseana Sarney no Maranhão. Foi o fim de uma oligarquia, que nunca beneficiou o povo. Os maranhenses deram uma lição ao país”. Ela adiantou que mesmo tendo cumprido dois mandatos no Senado, pelo Amapá, ele pouco ou nada fez pelo estado. “Aqui não tem escola técnica, não tem energia elétrica suficiente, não tem curso superior de medicina, não tem água, ou seja, falta tudo”.
Sobre as multas recebidas, ela explicou: “Recorri ao Tribunal Superior Eleitoral e estou esperando a decisão do juiz”.
A jornalista nascida no Amapá, Alcinéa Cavalcante é correspondente da Agência Estado, desde 1989. Foi fundadora do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Amapá, ocupando no momento o cargo da comissão de ética da entidade. É também vice-presidente da Associação Amapaense de Escritores. Quem se interessar: o blog de Alcinéia pode ser acessado pelo endereço alcineacavalcante.com
PARA MEDITAR
Vê que proponho, hoje, a vida e o bem, a morte e o mal; se guardares o mandamento que hoje te ordeno, que ames o Senhor teu Deus, andes nos seus caminhos, e guardes os seus mandamentos, e os seus estatutos, e os seus juízos, então viverás e te multiplicarás, e o Senhor teu Deus te abençoará na terra à qual passas para possuí-la. Porém, se o teu coração se desviar, e não quiseres dar ouvidos, e fores seduzido, e te inclinares a outros deuses, e os servires, então hoje te declaro que certamente perecerás.
Deuteronômio 30:15-18
NÃO SE INTIMIDE DIANTE DE OBSTÁCULOS
Uma vez que você estabeleceu seus alvos e começou sua jornada rumo à sua realização, pode estar certo de que enfrentará dificuldades. Haverá sem dúvida alguns, ou inúmeros obstáculos, mas você não deverá se permitir intimidar por nenhum deles. Quando Moisés libertou o povo do Egito ele pediu que doze espias fossem olhar a nova terra. Dez deles voltaram afirmando que nela havia muito mel e leite, mas também muitos gigantes (obstáculos). Os dez espias estavam prontos para desistir, porque se viam – conforme sua própria descrição - como gafanhotos, comparados com os gigantes. Do grupo dos doze, apenas dois depositaram sua fé em Deus. Eles não se deixaram intimidar, porque sua fé era maior que os obstáculos - os gigantes. Não se permita intimidar pelos gigantes desta vida. Quando Deus é por você, ele é maior que o mundo todo contra você!
27 outubro 2006
REQUIÃO
Analisemos o político como homem público: o compromisso com a coisa pública, o comprometimento com as pessoas, a honestidade (que não pode ser encarada como qualidade, mas, como obrigação), a sensibilidade, a responsabilidade e a visão de futuro.O governador é criticado por algumas “atitudes bruscas”; mas convenhamos, é pior um governante que não tem pulso, que não age, que não reage.
Roberto Requião tem sido um grande governador. Com sua visão de longo alcance tem transformado o Estado do Paraná. Vale lembrar aqui sua luta ferrenha contra os transgênicos, sua postura firme em defesa da SANEPAR e da COPEL, sua corajosa batalha (não terminada) contra o pedágio e sua determinação na revisão de contratos que oneravam assustadoramente nosso Estado.
Requião é um apaixonado. E se vê isso em seus olhos quando fala do Paraná.Como diz seu admirador, o deputado federal Reinhold Stephanes: “Requião governa.”E é isso que o povo quer quando vota: um governante que governe. Que decida o melhor. Que faça acontecer.
Quanto ao seu adversário - o senador Osmar Dias - , não tem sido feliz. O seu vice é um grande “abacaxi”; sua presença nos debates tem sido ofuscada pela objetividade e inteligência de Requião, e em algumas situações foi extremamente deselegante com o governador que o fez o melhor secretário de agricultura da história do Paraná.
É uma pena que o currículo político do senador Osmar Dias fique manchado por uma campanha mesquinha e por alianças eticamente questionáveis que só o tempo irá lhe cobrar.
“Requião é um louco”, é o que muitos dizem. Então, viva a loucura, Paraná!
Da minha Coluna, no Paraná Jornal, desta semana
DIA 29
Amigo leitor-eleitor, reflita bem.
Naquela hora será somente você e a urna.
O voto é a expressão máxima da democracia, é um direito pleno da cidadania. Exerça-o da melhor maneira possível: vote com consciência, desprenda-se de qualquer obrigação.
O Paraná e o Brasil terão o reflexo do seu voto.
Boa eleição!
Da minha Coluna, no Paraná Jornal desta semana
25 outubro 2006
A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR
“O que é pior: ver um candidato mentir ou ver o povo acreditar?”
O que você acha?
24 outubro 2006
LULA E LULINHA
Na testa
O presidente Lula passou o domingo abatido com as revelações da revista Veja sobre as atividades empresariais de seu filho Lulinha, o gênio. Só relaxou quando um amigo brincou: “Deixem o menino trabalhar...”
23 outubro 2006
DE PAI PARA FILHO...
Lula, ao justificar o fenomenal sucesso financeiro de seu filho, Lulinha.
Como diria Boris Casoy: é uma vergonha!
PARA PENSAR
Reinaldo Azevedo, jornalista
21 outubro 2006
LULA É O PT
O procurador-geral da República denunciou quarenta mensaleiros. O mais perto que ele chegou de Lula foi o 4º andar do Palácio do Planalto, ocupado por José Dirceu e seu bando. Agora ele terá de descer um lance de escadas e entrar diretamente no gabinete presidencial. Acompanhe-me, por favor. Cuidado com o degrau. Esta é a sala que pertencia a Freud Godoy, gorila particular de Lula. E aquela é a porta do escritório do presidente. Cerca de dez passos. Toc-toc-toc. Tem alguém aí? Lula saiu? A gente volta mais tarde.
Na última terça-feira, Garganta Profunda me passou os dados de um documento bancário de Freud Godoy, encaminhado pelo Coaf à Polícia Federal. Em 24 de março de 2004, ele depositou 150 000 reais na conta da empresa de sua mulher, Caso Sistemas de Segurança. Importante: 150 000 reais em moeda sonante. No documento bancário, Freud Godoy declarou que o dinheiro era fruto de "serviços prestados a clientes". Isso contradiz tudo o que ele alegou até agora. Num primeiro momento, disse que sacou os 150 000 reais para comprar equipamentos. Depois, informou que pediu um empréstimo a um amigo. Mentira. Não foi saque nem empréstimo: foi um depósito. O fato é que ninguém sabe de onde saiu tanto dinheiro e por que foi parar na conta do gorila particular de Lula.
Como Robert Redford em Todos os Homens do Presidente, arregacei as mangas da camisa e fui procurar respostas na capital federal. Pedi à CPI dos Correios para fazer o cruzamento dos dados do valerioduto com o depósito de Freud Godoy. Encontrei uma espantosa coincidência. Em 23 de março de 2004, um dia antes de Freud Godoy depositar 150 000 reais na conta de sua mulher, foram sacados 150 000 reais da conta da SMPB, de Marcos Valério, no Banco Rural. Tudo em moeda sonante. Tudo de origem desconhecida. O saque no Banco Rural foi feito pelo policial aposentado Áureo Marcato. Que voltou ao banco dois dias depois e sacou mais 150 000 reais. Onde foram parar?
Na época do depósito, Freud Godoy era assessor direto de Lula. Mas fazia um bico para o PT, montando o esquema de segurança de Delúbio Soares, que transportava malas de dinheiro sujo de um lado para o outro. Freud Godoy alugou para ele um carro blindado, comprou duas motocicletas para seus batedores e contratou uma escolta de seis policiais militares. Os 150.000 reais depositados na conta de sua mulher podem ter sido o pagamento pelo serviço. Os policiais contratados para escoltar o tesoureiro do PT contaram a VEJA que Freud Godoy, entre outras coisas, era encarregado de organizar os encontros secretos entre Lula e Delúbio Soares. Pode-se imaginar o que eles discutiam.
Lula está praticamente reeleito. Os brasileiros o perdoaram. Mas a bandidagem da qual ele se cercou continuará a rondá-lo para sempre. É assim que será recordado. Por mais que tente se esconder, Lula é o PT. Lula é Delúbio Soares. Lula é Marcos Valério. Lula é o golpismo do mensalão e do dossiê Vedoin. Abra a porta, Lula. Toc-toc-toc.
19 outubro 2006
DONA HELENA
Ela disse que o presidente nunca terá seu perdão pelo que fez à sua filha, e pelos 20 anos que o “peste” a enganou.
Isto que é sinceridade!
Ah, ela já declarou seu voto à Geraldo Alckmin e só não gravou para o programa de TV do tucano porque a filha não deixou.
Será que Heloísa Helena também votará em Alckmin?!
NÃO SERIA "BOCA" SANTA?
“Virei a casaca: Lula para presidente.
Presidente Bernardes ou Presidente Prudente. Penitenciária de Segurança Máxima.”
Mão Santa é também o autor daquela outra “pérola” :
3 coisas que se faz só uma vez na vida: nascer, morrer e votar no PT.
É DA NOSSA CONTA, SIM
A campanha de Lula divulgou na internet, na semana passada, um boletim dizendo que Sophia, filha do tucano Geraldo Alckmin, trabalhou como vendedora numa "empresa acusada de contrabando, a Daslu", e lembrando que Lu, a mulher do candidato, "ganhou de presente 400 vestidinhos chiques". O texto, por fazer referência à filha e à esposa do candidato, foi considerado descabido. Lula teria mandado tirá-lo do ar. Seu coordenador de campanha, Marco Aurélio Garcia, até divulgou uma nota pedindo desculpas e dizendo ser "totalmente inadequado, inapropriado e lamentável lançar mão de ataques pessoais envolvendo os candidatos ou suas famílias". Alckmin aproveitou a onda. Disse que "a notinha mentirosa e ofensiva é mais um exemplo do jogo sujo que esse partido está fazendo".
É curiosa a sucessão de equívocos no episódio.
Primeiro: a notinha não é "mentirosa". Tudo nela é verdadeiro. Sophia trabalhou mesmo na Daslu, e a empresa está sendo investigada por contrabando e sonegação fiscal. A mulher de Alckmin, quando ainda exercia a função de primeira-dama de São Paulo, recebeu mesmo um monte de vestidos de presente de um estilista. Só doou as peças a uma instituição de caridade quando o caso saiu na imprensa.
Segundo: é um erro comparar o caso de Lu com o de sua filha. Acusar Sophia de trabalhar numa empresa suspeita é de uma covardia odiosa. Sophia não era sócia da Daslu. Era empregada. É uma manipulação repulsiva insinuar que um empregado pode ser responsável pelas estripulias do patrão.
Terceiro: denunciar os "400 vestidinhos chiques" de Lu não é baixaria. É dever. Lu recebeu os presentes em razão da função pública que exercia – a de primeira-dama. Se trabalhasse na faxina do Palácio dos Bandeirantes, não os receberia. Portanto, deve responder publicamente por eles. No governo federal, as normas da Comissão de Ética Pública proíbem um servidor de receber presentes que custem mais de 100 reais. Acima disso, tem de devolver ou doar. Nos Estados Unidos, país que inspirou a norma brasileira, o limite é 50 dólares para os servidores e 200 dólares para o presidente.
Quarto: o PT não recuou da acusação por achar que ataques pessoais são "totalmente inadequados". Recuou porque, nesse terreno, Lula tem um imenso telhado de vidro, maior até que o de seu adversário. Marisa Letícia, a primeira-dama, também recebeu de um estilista uma penca de "terninhos, vestidos e tailleurs". Coisa de 30.000 reais. Pior, no entanto, é a situação do filho do presidente, Fábio Luís, o Lulinha. Ele não era empregado de uma empresa acusada de contrabando ou sonegação. Era dono de uma empresa, minúscula, que ganhou mais de 10 milhões de reais de outra empresa, gigante, aliás fiscalizada pelo governo de seu pai. Lulinha enriqueceu.
Sim, é um avanço da política brasileira banir os ataques pessoais, os fuxicos envolvendo familiares. Isso tem dado à política o que muitas vezes parece lhe faltar: dignidade. Mas os vestidinhos de Lu, os terninhos de Marisa e o súbito sucesso de Lulinha não são assuntos pessoais. São assuntos da nossa conta.
16 outubro 2006
PREVIDÊNCIA
Giambiagi é um dos maiores especialistas em contas públicas do país, e em seu livro defende o que todo político já sabe: a reforma da previdência é fundamental para que o Brasil possa pensar em futuro.
Como previdência é um tema que sempre gera polêmica e insatisfação por parte daqueles que dependem do sistema, é preciso coragem e responsabilidade dos governantes para fazer o que é preciso, correndo o risco de tornar o país ingovernável.
Sem dúvida, um grande desafio para o próximo governo.
LULA E SEU "SEGREDO DE ESTADO"
No último debate, o candidato à reeleição foi cobrado por Alckmin sobre os gastos exorbitantes dos cartões da Presidência. Como sempre, o presidente não sabia de nada e não se explicou.
O que podemos fazer?!
Votar dia 29.
PINÓQUIO
Da Coluna de Claúdio Humberto
15 outubro 2006
ESTÁ EM NOSSAS MÃOS
Ponto de vista - Veja
O destino prega muitas peças, ata e desata nós, abre e fecha caminhos, inventa encruzilhadas loucas e finais surpreendentes: a gente vai aos trancos e barrancos quase todo o tempo. A maior armadilha que ele, destino ou azar, nos prepara é exigir, aqui e ali, que a gente decida. Analisar e optar é tormento da maioria. Muito mais fácil que escolham pela gente, nós assobiando, olhando disfarçadamente os dados sendo lançados, para depois brindar ou lamentar: ah, o destino!
Dentro de alguns dias teremos de escolher aquele que governará nosso país. O que vai nos apoiar e orientar, o que terá autoridade e força para nos defender, o que será exemplo para nossos filhos, estímulo dos empreendedores, esperança dos doentes, alento dos velhos. Aquele que administrará com firmeza nosso maior bem concreto, o Brasil, e fará render em nosso favor o supremo investimento moral que fazemos: a confiança. Por essa escolha somos responsáveis. Temos essa extraordinária importância para o Brasil. Responsabilidade incomoda, opção pode ser um brete ou um mato sem cachorro, mas há que ser guerreiro para consertar com algo melhor do que com band-aid a honra machucada e as certezas abaladas.
O povo – os pobres, os miseráveis, os remediados e também os que têm razoável conta bancária – vive sob um dilúvio de desinformações ou informações distorcidas, sob o massacre de quase cotidianos escândalos e desculpas desastradas. Mesmo assim... tem de escolher. Enfrentamentos mostram perfis diversos, da calma firmeza ao disparatado deboche, da determinação às mais pueris desculpas. Mas teremos, inevitavelmente, de decidir, e não é em questão menor: trata-se do líder deste país. Fala-se muito em carisma: a palavra, além de vaga, foi esvaziada pelo seu uso excessivo e confuso. Pode ser uma aura de força e sabedoria, justiça e retidão, até fraqueza ou alguma loucura humana, que as temos às pencas, expostas em público.
Buscar criaturas carismáticas é um perigo: alguns dos assim chamados na história do mundo não foram lúcidos nem honrados; alguns esconderam sob aparência e pretextos sua falta de coragem. Muitos provocaram caos e sofrimento. Eu, mais do que carisma, quero preparo, compostura, autoridade equilibrada e... classe – outra palavra que anda rara e rala. Não a relaciono com bens materiais, mas com a elite dos honrados e dos capazes. Gosto de pensar que existe uma elite que nada tem a ver com nome, dinheiro ou cargo, mas que superou o retrógrado conceito de que "as elites" são culpadas pelas desgraças da humanidade.
A idéia de que só pobres e explorados são boa gente é de chorar de tão tola. É perigosa, é manipuladora. Gera ódios, provoca injustiças, rasga abismos. É uma desgraça a mais a nos rondar nesta fase de desgraceira e enganação. Precisamos escolher, e pior: decidir amparados em coisas além de partido e ideologia, embora eles devam contar. Quase todos se fundiram e nos confundiram, descaracterizaram-se e nos largaram à beira do caminho, mãos abanando aflitas. Precisamos, então, escolher da maneira mais autônoma, mais pessoal: são poucas as luzes que nos iluminam, a política substituída por jogos de interesse, em trilhas de fuga e ocultação. Estamos sozinhos, estamos nus, precisados de recorrer ao nosso bom senso, nossa capacidade de olhar, observar, procurar saber e.... ainda uma vez, escolher.
Temos toda a possibilidade de fazer uma boa seleção: neste nosso mundo moderno, dados negativos explodem com malcheirosa lama na televisão mais moderna da mais sofisticada mansão e no mais humilde radinho de pilha da mais simples cabana. Eu não sabia, não fui informado, vai ser uma desastrada desculpa para falhar em tão séria opção, caso ela não seja firme e inteligente.
A importância do que vamos fazer é de assustar, mas, se não formos pusilânimes ou manipulados, teremos a consciência tranqüila, e o país encaminhado para mais independência, dignidade e crescimento real. Está em nossas mãos o futuro. Cada um de nós, no pequeno recinto da urna eletrônica, vai exercer o seu poder como um rei, determinando o seu destino. É uma dura carga, mas pode ser extraordinariamente estimulante, animadora, salvadora. Temos vez, e voz: que seja a nossa vez.
LULA, FREUD E DINHEIRO SUJO: TUDO A VER
Estou todo embananado. Lula. Freud Godoy. Naji Nahas. Daniel Dantas. Telecom Italia. Telemig. Marcos Valério. Duda Mendonça. Delfim Netto. O que une um ao outro? O que é verdade? O que é mentira?
Ordenando os fatos:
1. A CPI dos Sanguessugas quer descobrir se Naji Nahas depositou 396.000 reais na conta da empresa do gorila particular de Lula, Freud Godoy.
2. Isso teria ocorrido em 5 de setembro, poucos dias antes de o comando da campanha de Lula ter sido flagrado tentando comprar o dossiê contra os tucanos.
3. O dinheiro que Naji Nahas teria repassado a Freud Godoy estava aplicado em cotas acionárias da Telemig. Até recentemente a empresa era controlada por Daniel Dantas.
4. A Telemig foi uma das maiores pagadoras de Marcos Valério.
5. Marcos Valério deu dinheiro a Freud Godoy.
6. Duda Mendonça tinha a conta de publicidade da Brasil Telecom, outra empresa controlada por Daniel Dantas.
7. Duda Mendonça também deu dinheiro a Freud Godoy. E recebeu ainda mais de Marcos Valério, lá fora.
8. Daniel Dantas e Naji Nahas trabalham juntos. Naji Nahas é o plenipotenciário da Telecom Italia no Brasil. Ele intermediou o acordo entre os italianos e Daniel Dantas.
9. VEJA noticiou que, em maio de 2003, a Telecom Italia deu 3 200 000 reais em dinheiro vivo a Naji Nahas. O dinheiro foi entregue a deputados da base lulista, segundo fontes da própria Telecom Italia.
10. Aqui na coluna contei que Naji Nahas, em 2002, arrecadou dinheiro ilegal para a campanha de Lula. Na época, defini Naji Nahas como a figura mais extravagante do lulismo.
11. A ponte entre Naji Nahas e Lula era Delfim Netto. O mesmo Delfim Netto que, como declarou Lula na última terça-feira, não foi eleito por "vingança de um conjunto de elitistas, porque defendia a nossa política".
Perdeu-se? Eu também me perdi. Muitas perguntas precisam ser respondidas pela CPI dos Sanguessugas. O dinheiro que Naji Nahas supostamente entregou a Freud Godoy seria usado para comprar o dossiê? Quem era o dono do dinheiro? O próprio Naji Nahas ou um de seus empregadores? Qual é o elo com o valerioduto? Por que Freud Godoy recebe dinheiro de tanta gente?
Estou embananado. Mas todos os rastros, de 1 a 11, apontam para o mesmo lugar: o Palácio do Planalto. Os golpistas que tramaram contra os tucanos eram da turma do presidente. E tudo indica que o dinheiro que eles usaram veio de lobistas e empresários que tinham interesse no governo federal.
Lula disse: "Esse menino não tem nada a ver com isso". O menino, no caso, era Freud Godoy. Se Lula disse, uma certeza a gente pode ter: é mentira. O menino tem tudo a ver com isso.
09 outubro 2006
PARA PENSAR
Trecho do Artigo "Governante Bom é Governante Chato", de Reinaldo Azevedo - Veja
08 outubro 2006
DIOGO PERGUNTOU...
Esta foi a pergunta que Diogo Mainardi fez ao ministro Tarso Genro.
Ouça no Podcast do jornalista, através do site da Veja: www.veja.com.br
NOTÍCIAS DA ITÁLIA
O lulismo está indo para a cadeia. Na Itália.
O caso estourou duas semanas atrás. Os promotores públicos milaneses descobriram que a Telecom Italia tinha um esquema de pagamentos ilegais a autoridades brasileiras. O esquema era simples. A Telecom Italia do Brasil remetia dinheiro a empresas de fachada sediadas nos Estados Unidos e na Inglaterra. A dos Estados Unidos era a Global Security Services. A da Inglaterra era a Business Security Agency. O dinheiro depositado nas contas dessas duas empresas era imediatamente repassado a intermediários brasileiros, que o distribuíam a terceiros.
A Business Security Agency era administrada por Marco Bernardini, consultor da Pirelli e da Telecom Italia. Ele entregou todos os seus documentos bancários à magistratura italiana. Há uma série de pagamentos em favor do advogado Marcelo Ellias: 50.000 dólares em 13 de julho de 2005, 200.000 em 5 de janeiro de 2006, 50.000 em 2 de fevereiro de 2006. De acordo com Angelo Jannone, outro funcionário da Telecom Italia, Marcelo Ellias era o canal usado pela empresa para pagar Luiz Roberto Demarco, aliado da Telecom Italia na batalha contra Daniel Dantas, e parceiro dos petistas que controlavam os fundos de pensão estatais.
Entre 11 de julho de 2005 e 6 de janeiro de 2006, Marco Bernardini deu dinheiro também à J.R. Assessoria e Análise. Em seu depoimento aos promotores públicos, Marco Bernardini disse que esses pagamentos eram redirecionados à cúpula da Polícia Federal. Paulo Lacerda e Zulmar Pimentel, números 1 e 2 da Polícia Federal, devem estar muito atarefados no momento, investigando a origem do dinheiro usado para comprar os Vedoin. Mas quando sobrar um tempinho na agenda eles podem procurar seus colegas italianos.
Outro nome que está sendo investigado pela Justiça milanesa é Alexandre Paes dos Santos. Conhecido como APS, ele é um dos maiores lobistas de Brasília. Foi contratado pela Telecom Italia para prestar assessoria política. Segundo uma fonte citada pela revista Panorama, APS tinha de ser pago clandestinamente porque é cunhado de Eunício Oliveira. Na época dos pagamentos, Eunício Oliveira era o ministro das Comunicações de Lula, responsável direto pela área de interesse da Telecom Italia. Eunício Oliveira acaba de ser eleito deputado federal com mais de 200.000 votos. Lula já espalhou que, em caso de segundo mandato, ele é um forte candidato para presidir a Câmara. É bom saber o que nos espera.
A revista Panorama reconstruiu também um caso denunciado por VEJA: aqueles 3,2 milhões de reais em dinheiro vivo retirados da Telecom Italia em nome de Naji Nahas. Um dos encarregados pelo pagamento conta agora que o dinheiro foi entregue a deputados da base do governo, do PL, membros da Comissão de Ciência e Tecnologia.
Lula se orgulha de seu prestígio internacional. Orgulha-se a ponto de roubar aplausos dirigidos ao secretário-geral da ONU. O caso da Telecom Italia permite dizer que o lulismo realmente ganhou o mundo. Em sua forma mais autêntica: o dinheiro sujo.
07 outubro 2006
MARINGÁ E O PT
A começar pelo ex-prefeito João Ivo Caleffi que obteve 19.317 votos para deputado federal, e mesmo não sendo eleito, ficou em segundo lugar na preferência de votos.
Marino, ex Secretário de Meio Ambiente, também não foi eleito deputado federal, mas conquistou 3.093 votos, deixando bem para trás nomes como Dr. Rosinha e André Vargas, que costumavam ser bem votados na Cidade Canção.
Já o eleito Ênio Verri, que foi Secretário de Fazenda e Secretário de Governo, e até antes da campanha, ocupava a Chefia de Gabinete do Ministério do Planejamento; arrebanhou 17.538 votos, quase metade de sua votação total que foi de 36.800 votos.
Ênio Verri deve se tornar o parlamentar mais atuante de Maringá na Assembléia Legislativa. Até porque, tem um excelente currículo e amplo conhecimento do poder público, o que lhe qualifica a um mandato repleto de bons projetos.
Maringá que preste atenção no deputado Ênio Verri e no PT maringaense, pois daqui a pouco chega outra eleição municipal.
04 outubro 2006
OS ELEITOS
GUSTAVO FRUET (4567)
PSDB
210.674
3,94
RATINHO JUNIOR (2340)
PPS
205.286
3,84
ALFREDO KAEFER (4566)
PSDB
158.659
2,97
HERMES PARCIANELLO FRANGÃO (1540)
PMDB
151.874
2,84
OSMAR SERRAGLIO (1533)
PMDB
149.673
2,80
BARBOSA NETO (1212)
PDT
132.674
2,48
RICARDO BARROS (1151)
PP
130.855
2,45
LUPION (2505)
PFL
122.861
2,30
DILCEU SPERAFICO (1122)
PP
116.632
2,18
MAX ROSENMANN (1510)
PMDB
116.516
2,18
BALBINOTTI (1569)
PMDB
116.398
2,18
NELSON MEURER (1111)
PP
114.141
2,13
LUIZ CARLOS HAULY (4515)
PSDB
111.506
2,08
ALEX CANZIANI (1414)
PTB
111.472
2,08
ANGELO VANHONI (1322)
PT
111.036
2,08
MICHELETTO (1512)
PMDB
103.120
1,93
REINHOLD STEPHANES (1515)
PMDB
101.699
1,90
AFFONSO CAMARGO (4545)
PSDB
99.763
1,87
GIACOBO (2200)
PL
92.868
1,74
ROCHA LOURES (1505)
PMDB
89.204
1,67
CEZAR SILVESTRI (2313)
PPS
88.962
1,66
SETIM (2550)
PFL
88.526
1,66
EDUARDO SCIARRA (2530)
PFL
85.197
1,59
TAKAYAMA (1500)
PMDB
85.093
1,59
CHICO DA PRINCESA (2223)
PL
84.046
1,57
ANDRÉ VARGAS (1345)
PT
83.222
1,56
DR. ROSINHA (1313)
PT
69.349
1,30
ALCENI GUERRA (2525)
PFL
69.022
1,29
CASSIO TANIGUCHI (2522)
PFL
67.821
1,27
ASSIS DO COUTO (1314)
PT
63.032
1,18
Urnas: 22.702
Eleitorado: 7.121.257
Abstenção: 1.153.861 (16,20%)
Votos: 5.967.396
Votos válidos: 5.348.959 (89,64%)
Votos brancos: 389.191 (6,52%)
Votos nulos: 229.246 (3,84%)
Fonte: Tribunal Superior Eleitoral
DEPUTADO ESTADUAL
ALEXANDRE CURI (15128)
PMDB
131.988
2,47
NEREU MOURA (15178)
PMDB
88.891
1,67
CAITO QUINTANA (15107)
PMDB
85.352
1,60
ROMANELLI (15678)
PMDB
82.666
1,55
BELINATI (11789)
PP
81.157
1,52
ARTAGAO JUNIOR (15015)
PMDB
74.783
1,40
ROSSONI (45120)
PSDB
71.992
1,35
LUIZ ACCORSI (45000)
PSDB
71.920
1,35
AUGUSTINHO ZUCCHI (12345)
PDT
67.760
1,27
WALDYR PUGLIESI (15123)
PMDB
66.513
1,25
CIDA BORGHETTI (11511)
PP
66.492
1,25
ANIBELLI (15190)
PMDB
65.624
1,23
JOCELITO CANTO (14123)
PTB
65.284
1,22
KIELSE (15156)
PMDB
61.874
1,16
GERALDO CARTARIO (15777)
PMDB
61.758
1,16
LUIZ CARLOS MARTINS (12550)
PDT
54.520
1,02
NELSON GARCIA (45200)
PSDB
53.932
1,01
FRANCISCO BÜHRER (45680)
PSDB
53.524
1,00
NEY LEPREVOST (11669)
PP
53.471
1,00
MARCELO RANGEL (23100)
PPS
51.868
0,97
EDGAR BUENO (12612)
PDT
49.971
0,94
RENI PEREIRA (40111)
PSB
49.760
0,93
CHICO NOROESTE (22104)
PL
49.413
0,93
MAURO MORAES (15655)
PMDB
48.513
0,91
FERNANDO CARLI FILHO (40789)
PSB
46.686
0,87
ELIO RUSCH (25155)
PFL
46.613
0,87
DURVAL AMARAL (25252)
PFL
46.476
0,87
DOBRANDINO (15115)
PMDB
45.623
0,85
LUIZ NISHIMORI (45123)
PSDB
45.247
0,85
NELSON JUSTUS (25111)
PFL
44.430
0,83
PLAUTO (25110)
PFL
42.456
0,80
LUIZ FERNANDES LITRO (45160)
PSDB
41.864
0,78
CHEIDA (15999)
PMDB
39.298
0,74
TERUO (15450)
PMDB
39.176
0,73
EDSON STRAPASSON (15200)
PMDB
38.645
0,72
BETI PAVIN (15333)
PMDB
38.266
0,72
FABIO CAMARGO (25654)
PFL
37.973
0,71
LUCIANA RAFAGNIN (13233)
PT
37.966
0,71
STEPHANES JUNIOR (15000)
PMDB
37.955
0,71
JONAS GUIMARÃES (15250)
PMDB
37.726
0,71
DUILIO GENARI (11223)
PP
36.999
0,69
ENIO VERRI (13300)
PT
36.800
0,69
EDSON PRACZYK (10123)
PRB
35.725
0,67
TRAIANO (45789)
PSDB
34.666
0,65
CARLOS SIMÕES (14190)
PTB
32.138
0,60
FELIPE LUCAS (23500)
PPS
31.636
0,59
DOUGLAS FABRÍCIO (23600)
PPS
29.553
0,55
PÉRICLES (13115)
PT
29.012
0,54
TADEU VENERI (13131)
PT
28.204
0,53
WELTER (13166)
PT
27.549
0,52
BERTOLDI (25625)
PFL
27.385
0,51
DR. BATISTA (33014)
PMN
26.714
0,50
PEDRO IVO (13567)
PT
24.472
0,46
ROSANE (43043)
PV
18.844
0,35
Urnas: 22.702
Eleitorado: 7.121.257
Abstenção: 1.153.861 (16,20%)
Votos: 5.967.396
Votos válidos: 5.337.682 (89,45%)
Votos brancos: 356.556 (5,98%)
Votos nulos: 273.158 (4,58%)
Fonte: Tribunal Superior Eleitoral
03 outubro 2006
ALCKMIN E LULA COMO DEPUTADOS
Leia e faça sua avaliação.
Como deputado federal, Alckmin apresentou mais projetos que Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-governador Geraldo Alckmin já atuaram no mesmo período no Congresso como deputado federais.
Levantamento da Folha indicou que no período de quatro anos de mandato parlamentar, Lula apresentou seis projetos de lei, enquanto Alckmin ingressou com 54 proposições.
Lula e Alckmin foram deputados federais na época da Constituinte (1987 a 1990).
Nesse período, Alckmin estava no PMDB. Depois da experiência, marcada pela frase de que no "Congresso há 300 picaretas", Lula não disputou mais cargos para o Legislativo. Alckmin, por sua vez, retornou à Câmara para cumprir mandato de 1991 a 1995 --no PSDB--, quando apresentou outros 33 projetos de lei.
Lula exerceu o mandato no auge de sua atuação como líder sindical. Chegou à Câmara com 700 mil votos --uma das votações mais expressivas da história. Na época, os poucos projetos que apresentou foram dedicados aos trabalhadores e aposentados.
Das proposições, quatro se referiam a temas como correção dos salários dos trabalhadores, regulamentação do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e correção monetária dos benefícios da Previdência. Nenhum saiu do papel.
Projetos e Requerimentos
Alckmin foi eleito deputado pela primeira vez, por São Paulo, com apenas 35 anos, enquanto Lula tinha 42. O tucano pautou seu mandato pela apresentação de projetos referentes à Previdência Social e temas ligados à Saúde --já que é médico.
Entre os 87 projetos apresentados por Alckmin, há propostas polêmicas como a mudança no número de deputados, mas a matéria não foi adiante. Ele também queria ampliar o número de cadeiras para a bancada paulista. Alckmin também não obteve sucesso na sua intenção de reduzir de 18 para 16 anos a idade para a obtenção da carteira de motorista e tornar obrigatória a divulgação pelos governos dos gastos com publicidade nas próprias peças de propaganda.
Alckmin também levou ao Congresso temas como a proibição do tiro ao alvo e a obrigatoriedade de residência médica para veterinários. Um dos méritos do tucano foi ter relatado o Código de Defesa do Consumidor, que acabou aprovado pelo Congresso e se tornou referência na legislação brasileira.
Já o candidato petista, que chegou a ser um dos principais líderes da oposição nos governos de José Sarney (PMDB) e Fernando Collor (PRN), não deu sossego ao Executivo durante o mandato como deputado.
Lula apresentou seis requerimentos de pedidos de informação aos dois governos - o mesmo número de projetos de lei que assinou. Ele questionou o Executivo sobre gastos com a construção da ferrovia Leste-Oeste, os custos da indústria automobilística e os critérios para venda do extinto BNH (Banco Nacional de Habitação).
02 outubro 2006
E O BRASIL VOTOU...
41,64% - ALCKMIN (PSDB)
48,61% - LULA (PT)
GOVERNADORES ELEITOS
Acre – Binho Marques - PT
Alagoas – Teotônio Vilela Filho - PMDB
Amapá – Waldez de Góes - PDT
Amazonas – Eduardo Braga - PMDB
Bahia – Jacques Wagner - PT
Ceará – Cid Gomes - PSB
Distrito Federal – José Roberto Arruda - PFL
Espírito Santo – Paulo Hartung - PMDB
Mato Grosso – Blairo Maggi - PPS
Mato Grosso do Sul – André Puccinelli - PMDB
Minas Gerais – Aécio Neves - PSDB
Piauí – Wellington Dias - PT
Rondônia – Ivo Cassol - PPS
Roraima – Ottomar Pinto - PSDB
São Paulo – José Serra - PSDB
Sergipe – Marcelo Déda - PT
Tocantins – Marcelo Miranda - PMDB
A definir no segundo turno:
Goiás = Alcides Rodrigues (PP) X Maguito Vilela (PMDB)
Maranhão = Roseana Sarney (PFL) X Jackson Lago (PDT)
Pará = Almir Gabriel (PSDB) X Ana Júlia Carepa (PT)
Paraíba = Cássio Cunha Lima (PSDB) X José Maranhão (PMDB)
Paraná = Roberto Requião (PMDB) X Osmar Dias (PDT)
Pernambuco = José Mendonça Filho (PFL) X Eduardo Campos (PSB).
Rio de Janeiro = Sérgio Cabral (PMDB) X Denise Frossard (PPS)
Rio Grande do Norte = Wilma de Faria (PSB) X Garibaldi Alves Filho (PMDB)
Rio Grande do Sul = Yeda Crusius (PSDB) X Olívio Dutra (PT)
Santa Catarina = Luiz Henrique da Silveira (PMDB) X Esperidião Amim (PP)
SENADORES ELEITOS
Acre – Tião Viana - PT
Alagoas – Fernando Collor - PRTB
Amapá – José Sarney - PMDB
Amazonas – Alfredo Nascimento - PL
Bahia – João Durval - PDT
Ceará – Inácio Arruda - PCdoB
Distrito Federal – Joaquim Roriz - PMDB
Espírito Santo – Renato Casagrande - PSB
Goiás – Marconi Perillo - PSDB
Maranhão – Epitácio Cafeteira - PTB
Mato Grosso – Jayme Campos - PFL
Mato Grosso do Sul – Marisa Serrano - PSDB
Minas Gerais – Eliseu Resende - PFL
Pará – Mário Couto - PSDB
Paraíba – Cícero Lucena - PSDB
Paraná – Álvaro Dias - PSDB
Pernambuco – Jarbas Vasconcelos - PMDB
Piauí – João Vicente Claudino - PTB
Rio de Janeiro – Francisco Dornelles - PP
Rio Grande do Norte – Rosalba Ciarlini - PFL
Rio Grande do Sul – Pedro Simon - PMDB
Rondônia – Expedito Júnior - PPS
Roraima – Mozarildo Cavalcante - PTB
Santa Catarina – Raimundo Colombo - PFL
São Paulo – Eduardo Suplicy - PT
Sergipe – Maria do Carmo - PFL
Tocantins – Kátia Abreu - PFL