11 fevereiro 2007

LULA QUER 3º MANDATO

Lula insinua que quer disputar 3º mandato em 2014
Josias de Souza

Lula quer aprovar no Congresso uma emenda que acabe com o instituto da reeleição. Acha que vai chegar a 2010 em condições de influir na própria sucessão. Rebate com veemência a especulação de que flertaria com a idéia de alterar a legislação apenas para poder concorrer a um terceiro mandato consecutivo. Mas admite claramente a hipótese de disputar eleições presidenciais, de novo, em 2014.

As opiniões do presidente foram recolhidas dos diálogos que ele manteve durante sua passagem pela festa de aniversário de 27 anos do PT. Lula aparentemente desejava que suas idéias viessem a público. Abriu-as a mais de uma pessoa. Embora tivesse falado em reserva, longe de jornalistas, sabia, por óbvio, que suas palavras não seriam guardadas em segredo.

Na opinião do presidente, se tiver juízo, o PT ainda pode firmar-se como alternativa presidencial em 2010. Mesmo sem que ele esteja no páreo. Mencionou alguns nomes. O repórter conseguiu recolher dois: Jaques Wagner, governador da Bahia, e Marta Suplicy, potencial ministra da equipe do segundo mandato.

Não será, porém, uma tarefa simples. Lula deu a entender que, se necessário, não hesitará em apoiar um candidato de fora de seu partido. Citou o deputado Ciro Gomes (PSB-CE). Seja quem for o candidato, petista ou não, só terá chances efetivas, acredita Lula, se for hábil o bastante para construir em torno de si uma aliança pluripartidária que inclua o PMDB.

Lula não deixou dúvidas quanto à vontade que tem de chegar a 2010 como um grande eleitor. Condicionou a capacidade de influir na própria sucessão ao comportamento da economia nos próximos quatro anos. Ele se disse convencido de que o PIB irá crescer a médias superiores às registradas na última década. Não falou em percentuais.

Uma das pessoas que ouviram o presidente animou-se a provocá-lo, em tom de brincadeira. Disse que, se o país crescesse de forma consistente, Lula seria imbatível em 2010. Foi nesse ponto, segundo relato ouvido pelo repórter, que Lula afastou a idéia. Chegou mesmo a dizer que o Brasil não é a Venezuela. Uma alusão à decisão de Hugo Chávez de instituir em seu país a reeleição perpétua.

O presidente declarou, na seqüência, que se considera bem de saúde. Disse que, derrubada a reeleição, o próximo presidente teria “apenas” quatro ou cinco anos de mandato, a depender do prazo que vier a ser fixado na hora em que a constituição for modificada. Quem o ouviu ficou com a nítida impressão de que Lula cultiva o sonho de retornar ao Planalto na sucessão do seu sucessor.

10 fevereiro 2007

MARTA SUPLICY


Marta é só o petismo que veste Prada
Reinaldo Azevedo

Havia um tempo em que o máximo de reflexão a que Marta Suplicy se permitia eram rasgos poéticos como: “Não importa o tamanho da varinha, mas a mágica que ela faz”, o que, diga-se de resto, nem mesmo é matéria consensual, if you know... Há muitas moças que dizem não ser bem assim. Esse diminutivo, “varinha”, ofende a condição masculina, rá, rá, rá. Hoje em dia, a sexóloga se transformou em politicóloga. E debate questões muito profundas, como os destinos das democracias contemporâneas. E não me acusem de machista. Até hoje, o meu político britânico preferido, depois de Churchill, é mulher. Vocês sabem quem é. Condoleezza Rice é outra mulher de primeiro time. Até a democrata meio doidivanas Hillary Clinton tem o meu respeito. No episódio daquela moça que cospe em vestidos e não os lava depois, ela se comportou de uma forma altaneira. Eleanor Roosevelt podia ter lá suas infelicidades, mas também estava no degrau de cima. Já disse: sou mulherista e um tanto tradicionalista: sou casado com mulher e tenho duas filhas. Até os bichos aqui de casa são mocinhas — quer dizer, não sei a tartaruga: uma das meninas a batizou “Avril”; “a Avril” (pronuncia-se qualquer coisa entre “Êivril” e “Évril”, por favor, ou ela não atende...).Dona Marta está na Bahia, onde o PT realiza um encontro. Seu grupo, que ela nega existir como tal, é autor de uma proposta que concede ao presidente da República o poder de convocar plebiscitos sem necessidade de prévia autorização do Congresso. Dona Marta, pelo visto, está disposta a cutucar a democracia — ou o monstro do autoritarismo, a depender da leitura — com vara curta. Em vez de mágica, pode é rolar uma feitiçaria. Ela nega, evidentemente, que tal proposta daria a Lula o poder de, por exemplo, propor um plebiscito sobre se deve ou não disputar um terceiro mandato. O que é isso, madame? Daremos ao presidente o poder de decidir que plebiscito fazer, mas diremos: “Menos sobre isto, hein, Lula. O resto pode”.Segundo a nossa teórica da política com vara curta, as democracias modernas todas têm mecanismos de consulta popular. É verdade: mas nenhuma por vontade exclusiva do supremo mandatário, minha senhora. A exceção seria a Venezuela. “Seria”, já que a Venezuela não é uma “democracia moderna”, e sim uma ditadura atrasada.Marta vai além: “O que se pensou foi na resolução de grandes questões, difíceis de serem resolvidas e que precisam ter respaldo mais amplo, como foi o caso do referendo sobre as armas". É mesmo? H. L. Mencken nesta senhora: para cada problema complexo, há sempre uma solução fácil, clara e errada. Ademais, o referendo das armas passou, sim, pelo Congresso, madame.Ela tem razão numa coisa: o tal grupo que anda a pensar essas barbaridades não é, com efeito, “o grupo de Marta”. Ela não tem formação política nem alcance teórico para saber o que querem esses patriotas. A ex-prefeita é só um nomão que “lava” um grupo de “pensadores” bem mais obscuros. E perigosos. Candido Vaccarezza, por exemplo, tem pouco de Voltaire e muito de Beria, o chefe da polícia e braço direito de Stálin.
Marta é só o petismo que veste Prada.

08 fevereiro 2007

BRASIL COM VENEZUELA


Brasil se recusa a ajudar EUA a conter Chávez

Os EUA ouviram ontem uma polida negativa diplomática sobre a possibilidade de o Brasil auxiliar o governo Bush a conter o venezuelano Hugo Chávez.

O subsecretário de Estado para Assuntos Políticos, Nicholas Burns, ouviu do ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) que a política de isolamento não dá resultado e acabou concordando com a necessidade de diálogo direto."

O Brasil não fica passando recado. Eles têm embaixador lá. Há formas de diálogo sem necessidade de que o Brasil se arvore como mediador", disse Amorim, que lembrou ao subsecretário que o Brasil já participou de iniciativas passadas nesse sentido, a exemplo do Grupo de Amigos da Venezuela.

Ele ouviu de Burns que "os EUA também têm disposição para o diálogo"."O que sempre digo, e ele não discordou, é que a boa política é a do diálogo, mas claro que é preciso que os dois queiram dialogar", disse Amorim.

Segundo ele, a conversa sobre a Venezuela ocupou pequena parte do encontro e não se discutiu como estabelecer esse diálogo.

Estão em negociações as datas de um encontro entre os presidentes Lula e George W. Bush e uma nova visita da secretária de Estado Condoleezza Rice ao Brasil.

Em Washington, Rice atacou Chávez ontem: "Penso que o presidente da Venezuela está destruindo seu país, econômica e politicamente".

Fonte: Folha de São Paulo

O PARANÁ E O VOTO

O Paraná lidera um triste ranking: foi o Estado onde mais houve oferta de compra de voto na última eleição.

Cerca de 1 milhão e 300 mil eleitores receberam proposta para vender seu voto, o que corresponde a 22% do eleitorado paranaense.

Por incrível que pareça, os jovens entre 16 e 24 anos são os favoritos no "aliciamento".

Também caiu por terra o mito de que os eleitores mais pobres e menos esclarecidos eram os mais visados. A vergonhosa compra de voto ocorre indiscriminadamente, cidades grandes e pequenas, onde se despreza também renda ou grau de escolaridade dos eleitores.

Como mudar? Conscientização.
O Eleitor precisa entender a importância de votar e desprezar o "político" que negocia o voto.

LULA 3 E O "PLEBISCITO"

Ala do PT quer Lula com poder de chamar plebiscito

Proposta que autoriza presidente a convocar consultas populares sem ouvir Legislativo está em documento a ser apresentado em congresso petista

Um grupo de parlamentares e líderes petistas paulistas ligados à ex-prefeita Marta Suplicy preparou um documento com 90 itens de propostas a ser apresentado no 3º Congresso do PT, que, entre outras coisas, defende o direito do presidente da República de convocar plebiscitos sem autorização do Legislativo. Pela lei brasileira, a iniciativa para convocação de plebiscitos e referendos precisa ser submetida ao Congresso.

No item 25 do documento, em que eles pregam a ampliação dos mecanismos democráticos no País, está escrito: “Se o presidente da República pode editar medidas provisórias - cada vez mais sob o crivo das críticas por seu vezo autoritário -, por que não pode ele, sem este vício originário, convocar plebiscitos sem autorização legislativa para decidir questões de grande alcance nacional? E não se venha com as surradas objeções do ‘salvacionismo’ ou do ‘populismo’, pois as consultas plebiscitárias são rotina na Suíça e até mesmo em diversos Estados norte-americanos.”

O deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), que assina a peça e é um dos principais articuladores da eleição do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), afirmou ser “ridícula” qualquer associação da proposta com um plano para viabilizar um terceiro mandato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo ele, a medida busca democratizar um instrumento de consulta popular amplamente difundido no mundo. “Não tem como um país avançar se não evoluir nas formas de consulta popular”, disse Vaccarezza. “Nos Estados Unidos foram feitos aproximadamente 800 plebiscitos no ano passado. Na França e na Suíça os plebiscitos são feitos dessa forma.”

O risco de a proposta acabar servindo para uma tentativa de um terceiro mandato, no entanto, não é descartado pelo deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), outro autor do documento. “Sou contra a possibilidade de um terceiro mandato para presidentes, mas uma vez aprovada a proposta, não há como garantir que a bancada não apresente no Congresso um pedido desse tipo”, afirmou Devanir. Ele porém, defendeu o caráter democrático da proposta.

Pela legislação brasileira, o plebiscito é uma consulta direta ao cidadão, previsto na Constituição, em que o eleitor se manifesta sobre um assunto de extrema importância, antes que uma lei sobre o tema seja estabelecida. No caso de o tema já ter uma legislação específica, a consulta é feita por referendo, como o do desarmamento. Em ambos os casos, pela lei atual, o Congresso precisa aprovar a iniciativa.

No Brasil foram realizados apenas dois plebiscitos. O primeiro em 6 de janeiro de 1963, com o objetivo de ouvir os eleitores sobre a continuidade ou o fim do sistema parlamentarista de governo, instituído dois anos antes, depois que Jânio Quadros renunciou à Presidência da República. O segundo foi em 21 de abril de 1993, em que os eleitores escolheram a forma (República ou Monarquia) e o sistema de governo (parlamentarismo ou presidencialismo) que queriam para o País.

“DEMOCRATIZAÇÃO DA MÍDIA”
O documento, de mais de 30 páginas, considerado ainda uma peça aberta, já que poderão ser feitas modificações, foi assinado também pelos deputados José Mentor e Carlos Zarattini, ambos do PT paulista, e será oficialmente divulgado no dia 7 de março.

No documento, os petistas falam ainda em “maior democracia” nos meios de comunicação. “Um Brasil mais democrático exige uma democratização radical dos meios de comunicação de massa, principalmente a mídia eletrônica”, diz o texto.

Fonte: O Estado de São Paulo

07 fevereiro 2007

A CARTILHA DA POLÊMICA E CAMISINHA

Cartilha escolar compara beijo a chocolate

Impresso elaborado pelos ministérios da Saúde e da Educação será distribuído para 400 mil estudantes de 13 a 19 anos

Material inclui espaço para os adolescentes relatarem suas melhores "ficadas", além de sugestões de músicas, filmes e leituras

O governo federal elaborou e vai distribuir para estudantes de escolas públicas de 13 a 19 anos uma "agendinha" com dicas sobre beijo, sedução, masturbação e saúde. Polêmica, a cartilha inclui até uma lista a ser preenchida com as melhores "ficadas" - relacionamentos-relâmpago entre jovens.

Na parte sobre beijos, a cartilha orienta que "beijar muitos desconhecidos numa única noite não é tão bom assim", pelo risco de doenças. Mas compara o beijo ao chocolate, por "aguçar todos os sentidos" e "liberar endorfinas", com a vantagem de ainda "queimar calorias", ao contrário do doce.

O material faz parte do programa Saúde e Prevenção nas Escolas - Atitude para Curtir a Vida e aborda temas variados que vão dos efeitos colaterais do aumento de peso (espinha e preguiça) até homenagem ao cantor Cazuza, morto por Aids.

A cartilha foi elaborada pelos ministérios da Saúde e da Educação ao longo de 2006 e testada com alunos do Distrito Federal. A primeira tiragem teve 40 mil exemplares e o governo pretende encomendar 400 mil cópias adicionais.

Um item que pode instigar polêmica entre pais são as duas páginas dedicadas às "ficadas". Em uma delas, há espaço para o aluno preencher os detalhes das mais espetaculares de sua vida -com o esclarecimento de que a "ficada" compreende várias coisas: beijar, namorar, sair e transar.

Nas páginas sobre o uso da camisinha, o caderninho ensina a colocar o preservativo sob o título "O pirata de barba negra e de um olho só encontra o capuz emborrachado".

Entre os cinco motivos para usar camisinha há a "sedução", além da "proteção": "Colocar o preservativo pode ser uma excelente brincadeira a dois. Sexo não é só penetração. Seduza, beije, cheire, experimente!".

Há também os motivos "proteção" (da gravidez, da Aids, de doenças sexualmente transmissíveis e "do frio") e "segurança", para o dia seguinte ser "só boas lembranças".

No final da página, existe uma ponderação sobre resistir a pressões externas e aguardar preparado o "momento certo" de transar. "Ter uma camisinha não é sinal de sem-vergonhice ou de segundas intenções."

Na parte de masturbação masculina, há a desmistificação sobre criar cabelos ou calos ou ficar com esperma "ralo". Sobre a masturbação feminina, considerações higiênicas e dicas para uma exploração "tranqüila e relaxada".

"O foco é o jovem, não a eventual censura que possa vir de um pai", explica a diretora do Programa Nacional DST/Aids, Mariângela Simões.

"A realidade é essa, "ficar" hoje é parte da vida de muitos jovens e o caderno é para anotações pessoais", disse. A cartilha se chama "O caderno das coisas importantes - Confidencial".

Para Mariângela, é inválida a crítica de estimulação precoce da sexualidade, bandeira de setores que se opõem à política de saúde e promoção dos direitos reprodutivos do governo. "Se a gente fosse considerar que uma cartilha ou um caderno fosse influenciar tanto o comportamento sexual das pessoas, não teríamos mais Aids no país."

Segundo ela, é papel do Estado laico facilitar informações. As dicas de livros e filmes, que fogem do escopo técnico, foi, segundo ela, uma escolha subjetiva para explorar os temas. Estão lá "Filadélfia" e "A Gaiola das Loucas", entre outros.

No caso das indicações de "músicas que dão o seu recado" - Cazuza, Legião Urbana, O Rappa, Jota Quest etc. -, a seleção é subjetiva e busca uma mensagem de contestação e esperança, explica ela.

Entre os livros estão indicados guias de sexo e "O Jardineiro Fiel", de John le Carré.


Governo vai ampliar a distribuição de camisinha para jovens de escolas públicas

O Ministério da Saúde anunciou ontem que pretende ampliar a distribuição de camisinhas para jovens nas escolas públicas após uma pesquisa constatar que 45% dos estudantes ouvidos tinham vida sexual ativa e que 30% não haviam usado preservativo na sua mais recente relação.

O governo rejeita que exista uma estimulação sexual precoce com a medida e avalia, com base em pesquisa da Unesco, que é necessária uma política pública sobre o tema que não seja omissa. Hoje, o programa de DST/Aids tem como meta anual a distribuição de 100 milhões de camisinhas para a faixa etária de 13 a 24 anos.

Ainda não há previsão de quando e como será feita a distribuição, mas pelo menos uma das formas será por meio de máquinas eletrônicas - já existe um concurso para o desenho do equipamento nas escolas técnicas federais. "Já existe uma decisão concreta de expansão", disse ontem o ministro da Saúde, Agenor Alvares.

Não há dados precisos sobre quantas escolas já distribuem preservativos. Segundo o Censo Escolar de 2005, das escolas de ensino básico que abordam DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis) e Aids, 8,7% das escolas do ensino fundamental e 16,9% das de ensino médio oferecem preservativos.

A pesquisa que motivou a decisão do governo foi feita com escolas públicas que já implantaram o programa "Saúde e Prevenção nas Escolas". O estudo mostra que, nesse universo, 70% usaram preservativo na relação mais recente.

O principal motivo para não usar camisinha, declarado por cerca de 43% dos alunos, foi não ter um preservativo disponível "na hora H". A confiança no parceiro (23%) e a redução do prazer (21%) foram as outras justificativas.

Fonte: Folha de São Paulo

TSE E PARTIDOS


TSE modifica fundo partidário e grandes perdem
Folha de São Paulo

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) alterou ontem o critério de distribuição dos recursos do Fundo Partidário. A decisão assegura mais verbas aos partidos nanicos e prejudica os grandes.

O PCO, por exemplo, que não elegeu nenhum deputado, receberá R$ 146 mil da parcela de janeiro de 2007, uma verba muito superior aos R$ 14 mil repassados a ele ao longo de 2006.Antes, apenas 1% do fundo, composto por dinheiro público, era dividido igualitariamente entre as siglas, independentemente de cada uma ter ou não eleito deputado. Agora, o bolo a ser rateado subiu para 42%."

A idéia motivadora foi prestigiar os partidos pequenos", declarou o ministro do TSE Cesar Asfor Rocha, relator do processo sobre a nova forma de divisão do fundo.

Os principais perdedores são os cinco grandes partidos: PMDB, PT, PSDB, PFL e PP. O valor mensal do repasse cairá pelo menos R$ 500 mil para cada um deles. Os partidos poderão recorrer da decisão do TSE.

O PT recebeu em média R$ 2 milhões mensais em de 2006 de repasse regular, sem contar verba de arrecadação de multa. Pelo critério adotado pelo TSE, o partido terá R$ 1,089 milhão da parcela de janeiro deste ano. Já o PSDB recebeu em média R$ 1,5 milhão por mês em 2006 e a primeira parcela de 2007 será de R$ 954,8 mil.

Os R$ 10,9 milhões da cota geral de janeiro estavam retidos no TSE por causa da indefinição do critério. Deveriam ter sido repassados no último dia 20, e os partidos pressionavam pela definição.

Responsável pelo transferência dos valores, o tribunal precisava decidir sobre a nova forma de distribuição, já que em dezembro do ano passado o STF (Supremo Tribunal Federal) declarou inconstitucional a chamada cláusula de barreira.

A cláusula de barreira é uma norma da Lei dos Partidos Políticos (nº 9.096/95) que começaria a vigorar nesta legislatura e dificultaria o funcionalismo das siglas pequenas e médias. Uma das conseqüências seria a perda da verba desse fundo, principal fonte de renda.

O Fundo Partidário é composto por recursos públicos, do Orçamento e de arrecadação de multas eleitorais. Em 2006, os partidos receberam R$ 148,1 milhões ao todo, incluindo verbas de arrecadação de multas e superávit.

06 fevereiro 2007

Lafer reforça críticas a política exterior de Lula

Flávio Freire, O Globo

O ex-ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, não só endossou as críticas feitas pelo ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Roberto Abdenur, ao Itamaraty, como jogou mais lenha na fogueira. Lafer disse que, na gestão de Lula, a carreira de diplomata foi politizada e o critério de seleção tem sido de entusiasmo e adesão ao governo.

Em gênero, número e grau, Lafer concorda com as críticas de Abdenur de que a promoção de diplomatas obedece afinidade política, a condução da política externa do Itamaraty atesta um "antia-americanismo atrasado" e a incorporação da Venezuela ao Mercosul foi um erro.

A carreira no Itamaraty sempre foi baseada em concurso e na qualificação do diplomata. Hoje há uma politização da carreira, que obedece a critérios de entusiasmo e adesão ao governo - disse Lafer, que concorda ainda com a tese de que o Ministério das Relações Exteriores aplica uma doutrina ideológica ao estabelecer uma bibliografia básica para alinhar todo o pensamento de quem atua no setor.

A exigência de leituras obrigatórias mostra o esforço do Itamaraty por um pensamento unificado. Esse é um dado que diminui a capacidade do Itamaraty de ser
eficiente na sua posição de Estado. Fica só com uma posição de governo - diz Lafer, ex-ministro das Relações Exterior no governo de Fernando Henrique Cardoso.

Depois de lembrar da trajetória de Abdenur (que exerceu o cargo de embaixador do Brasil em Viena, Alemanha, China e Equador, por exemplo), o ex-ministro disse que o colega "não está fazendo comentários sem conhecimento de causa".
Seguindo a mesma linha de raciocínio do ex-embaixador em relação ao que ele classificou de "antiamericanismo atrasado", Lafer levantou como um dos exemplos para ilustrar tal tese a defesa do Brasil de incorporar a Venezuela, sem negociação prévia, ao Mercosul.

O Chavez, com as suas posições, construiu os Estados Unidos como um inimigo. E ele orienta por aí a sua política externa, inclusive com alianças estranhas, como a que fez com o Irã. O Brasil, ao defender a incorporação da Venezuela ao Mercosul, coloca a identidade do bloco à prova. Para Chavéz, o que interessa é conflito, justamente o que não é interessante para o Brasil.
Lafer também concorda com a tese de que o país tem dado muito ênfase nas relações Sul-Sul, assim como criticou Abdenur.

A relação Sul-Sul tem a sua importância, o Brasil é pluralista, mas não devemos deixar de dar importância devida a países da Europa e Estados Unidos - disse ele, lembrando, por exemplo, que os estados Unidos podem ser um dos principais pólos importadores do etanol brasileiro, que encontra barreiras em outros países, como a França.

CARTÃO CORPORATIVO

Despesa com cartão corporativo chega a R$ 33 mi; gastos sigilosos são R$ 10 mi
Folha de São Paulo


Os gastos do governo Lula por meio de cartões corporativos cresceram 52,2% no ano passado em comparação a 2005. Passaram de R$ 21 milhões para R$ 33 milhões. O grosso dos gastos sigilosos com cartões está na Abin (Agência de Inteligência), com R$ 5,5 milhões, e na Presidência da República, com R$ 4,8 milhões.

Cerca de 96% de todos os gastos com cartão sob responsabilidade da Presidência (secretaria administrativa e Abin) estão cobertos pelo sigilo.

Cartões corporativos são usados para pequenos gastos emergenciais e acabaram virando alvo de críticas do TCU (Tribunal de Contas da União) pela falta de transparência.

A Presidência lidera em gastos gerais desse tipo (sigilosos ou não), com R$ 10,8 milhões, 32,7% do total da máquina, mas o maior crescimento ocorreu no Ministério do Planejamento - de R$ 271 mil, em 2005, para R$ 4,5 milhões em 2006.

No Ministério da Educação, principalmente por conta da Universidade de Brasília, os gastos desse tipo subiram 190%. O MEC afirmou que há uma substituição de suprimentos de fundos, meio tradicional de pagar pequenas contas, por cartões corporativos, sobre os quais "as regras são mais flexíveis, sem perda de controle".

Em outubro, a Casa Civil da Presidência informara que o crescimento era esperado por causa da substituição dos meios de pagamento (cheque e dinheiro), o que não implicaria aumento real das despesas.

GOVERNO FEDERAL X BRADESCO


Chavismo à moda da casa: o governo federal quer assaltar o Bradesco
Reinaldo Azevedo

Certo, leitor amigo, fica chato dizer que um banco pode ser vítima da truculência do governo. A se acreditar em certa esquerda, sempre acontece o contrário. Mas a verdade é que o triângulo "governo Lula-Banco Postal-Bradesco" expõe um arreganho escancaradamente chavista do Planalto. A se concretizar de fato, a primeira coisa que está indo para o brejo é a segurança jurídica. Junto com ela, o bom senso e até o decoro argumentativo. E noto: o Bradesco é sabidamente uma empresa que mantém relações amistosas com o governo Lula. Dá para imaginar o que essa gente não gostaria de fazer com inimigos. Para quem não sabe do que estou falando, uma explicação rápida.

Em 2001, o governo federal resolveu fazer uma licitação entre bancos para que agências dos correios pudessem funcionar com postos bancários. O objetivo principal era levar o serviço a algumas cidades que haviam ficado sem banco por conta do enxugamento do número de agências, que veio com a reestruturação do setor bancário. Três empresas participaram da licitação: Bradesco, Itaú e Caixa Econômica Federal. Ganhou o primeiro, com uma proposta de R$ 201 milhões e mais repasses de parte das taxas cobradas dos clientes pelos serviços. A atividade rende aos Correios hoje algo entre R$ 10 milhões e R$ 12 milhões. O contrato vai até 2010. Pois não é que o ministro das Comunicações, Helio Costa, decidiu simplesmente romper o contrato? O argumento não poderia ser mais vagabundo: o Bradesco está lucrando demais.

Elio Gaspari escreveu uma nota na Folha de domingo a respeito e concluiu assim: “O lucro do banco não é da conta do ministro. Se a privataria tucana vendeu a concessão a preço de banana, é aí que ele deve procurar a anomalia.” Gaspari é informado o bastante para ser tão simplório na sua sanha antiprivatizante. “Privataria” por quê? Tem a obrigação de explicar a seus leitores se não quer ficar, a esta altura da carreira, fazendo embaixadinha para a torcida. Suponho que não precise disso. Quanto valia, Gaspari, um serviço que não existia? Sob que argumento se pode dizer que R$ 210 milhões, mais o que o serviço rende mensalmente, são preço de banana?Na opinião do jornalista, o Bradesco correu ou não algum risco quando decidiu operar o sistema? “Banana” foi também a moeda que disseram ter sido usada para comprar os 19% (!) de ações da Telebras, que renderam aos cofres públicos R$ 22 bilhões. Um ano depois, as ações valiam quase a metade em Bolsa. Ou seja: foram vendidas a peso de ouro, não de banana! Considerando os investimentos feitos e os impostos pagos, fica fácil demonstrar que a privatização da Telebras rendeu ao Brasil R$ 265 bilhões, R$ 135 bilhões só de investimentos em infra-estrutura. Investimentos permanentes, não consumidos pelo pagamento da dívida — já que essa é a crítica mais freqüente que se faz às privatizações.

Sempre que a “banana” vira moeda na boca ou na pena de alguém, fico muito irritado porque acho a crítica populista e obscurantista. Que os idiotas optem por isso, vá lá. Talvez a ignorância lhes perdoe a tolice. Que alguém informado o faça, aí é indesculpável. Não se fez privataria nem na Telebras nem no Banco Postal. Quem, agora, está se comportando como pirata, como ladrão, é o governo federal, que quer roubar o Bradesco.Hélio Costa disse que vai constituir uma comissão para indenizar o banco. Vejam só: não sei se vocês estão entendendo. Uma empresa tem um contrato para gerir um serviço. Para tê-lo, disputou e venceu uma licitação. O governo olha para a coisa, descobre que o negócio deu certo, que ele é bom — e só é assim porque está funcionando direito —, e decide, então, tungar a empresa privada, tomar a coisa de volta, rasgando o contrato. E quais são os argumentos do ministro? “O contrato é injusto porque o Banco Postal é um enorme sucesso, mas os Correios lucram pouco”. É mesmo? E se a operação desse prejuízo, ministro? Costa diz ainda que o governo não pode deixar de levar em consideração que “o Banco Postal é um sucesso”. Então fique longe dele, meu senhor!Vejam só: até admito que, num contrato de dez anos, as partes possam, a pedido de qualquer uma delas, a qualquer momento, sentar para rediscutir as novas circunstâncias que envolvam o que está combinado. Isso é muito mais comum do que a gente supõe, inclusive entre empresas privadas. Anunciar que se vai jogar no lixo o contrato e discutir a indenização justamente no momento em que o governo espera que a iniciativa privada ajude a alavancar o tal PAC é ação delinqüente de um governo estúpido. Nos seus delírios, Lula diz esperar que, com o apoio do capital privado, o programa de crescimento atinja R$ 1 trilhão — quase R$ 600 bilhões só da iniciativa privada. É uma bobagem, eu sei. Ainda que fosse um décimo disso, já seria muito: por que confiar num governo que rasga contrato?

Atenção: não há nenhuma boa razão para o governo fazer isso com o Bradesco e não fazer o mesmo, a qualquer momento, com outra empresa privada que tenha conquistado um contrato em licitação. Fiquemos atentos ao desdobramento desse caso. Ele é de tal sorte absurdo, que me pergunto se um governo que cria tantas dificuldades inúteis não está correndo atrás de facilidades úteis.

Em tempo: a pressão de sindicatos ligados à CUT, cobrando o rompimento, é grande. Segundo Costa, só a marca “Banco Postal” valeria hoje um R$ 1 bilhão. Os companheiros estão babando. Tão logo o serviço seja estatizado, vocês sabem muito bem o que vai acontecer. Sem contar que, bem, bastam uns dois anos para que o serviço, hoje muito lucrativo (segundo o ministro), comece a dar prejuízo.

PS1 - O Bradesco rivaliza com o Itau para saber qual é o maior banco privado do país. Mesmo sendo um gigante, leva uma dessa. Se os que são menores ficarem quietinhos, acho que devem desconfiar de que coisa pior pode vir a qualquer momento.

PS2: Alguns poderão dizer que fiquei mais exaltado com o caso do que o próprio Bradesco. O banco, a esta altura, deve estar preocupado em ser o mais moderado possível porque, claro, não quer entrar em rota de colisão com o governo. De maneira geral, o capital privado costuma ter uma prudência com o Estado que beira a subserviência. A coisa é assim mesmo, leitor amigo. Sou um pouco mais pobre do que o Bradesco e não tenho nada com o negócio. É que considero a economia de mercado e o Estado de Direito coisas muito sérias para ficar dependendo só da reação dura de banqueiros.

05 fevereiro 2007

O COMPLEXO DE BARRABÁS

Maria Lucia Victor Barbosa *

Que triste e deprimente espetáculo do crescimento da desfaçatez os brasileiros puderam assistir quando da eleição dos presidentes da Câmara e do Senado, no dia 1 de fevereiro. Marquemos essa data histórica. Nela, um festival de traições, nunca dantes havido neste País, fez definitivamente do Congresso Nacional um balcão de negócios. E subjacente às negociatas houve a entrega do Poder Legislativo ao partido dominante, o PT, significando a outorga de quase plenos poderes ao presidente da República. Vai-se, assim, aperfeiçoando no Brasil os métodos do ditador Hugo Chávez.

Em vão os apelos de Gustavo Fruet por moralização e ética. Deve soar como palavrão aos ouvidos de mensaleiros e demais companheiros de falcatruas tais palavras, se bem que a maioria deles nem sequer conhece o significado destes vocábulos. Afinal, o que importa a moralização da Instituição que é um dos pilares da democracia, se o que interessa são cargos, sinecuras e a doce vida do poder doam a quem doer, custem o que custar. Nós elegemos deputados e senadores para que eles se locupletem. Fazemos retornar ao Congresso mensaleiros e outros tipos de pilantras. Depois batemos palmas para seus desmandos. Ou melhor, nem lembramos de quem elegemos.

O Congresso, com as honrosas exceções que sempre existem, vai ficando cada vez mais parecido com um refúgio de larápios da coisa pública. Um lugar de recreio onde pouco importam as funções constitucionais, entre as quais controlar o Poder Executivo. O fato é que a humanidade sempre padeceu do complexo de Barrabás. E isto se acentua em determinadas épocas. Refiro-me simbolicamente a passagem bíblica, em que Pilatos, tendo apresentado ao povo Jesus e o homicida Barrabás, teve como resposta o clamor da multidão que, referindo-se a Jesus gritou instada pelos pontífices: “crucifica-o”. Aos cristãos e não-cristãos esse episódio deve servir como entendimento sobre nossa espécie, nossa selva humana tangida sempre pelos “pontífices” do poder que instigam as massas a votarem em Barrabás.

O PSDB e o PFL vêm padecendo da síndrome do assassino bíblico. Geraldo Alckmin foi traído por seu partido e pelo PFL. Agora, Gustavo Fruet. Não é possível ganhar quando a turba é instigada por certos “pontífices”. Sobretudo alguns muito poderosos, como Aécio Neves e José Serra. E na eleição para presidente da Câmara, o PSDB, em grande parte, apoiou o petista Arlindo Chinaglia. Melhor seria que esses tucanos se mudassem de mala e cuia para as hostes do PT.

Como sempre disse e reafirmo, não existe oposição no Brasil. Nossas instituições estão fragilizadas e cooptadas pelo poder central. Nossa democracia definhou. É de se temer pela manutenção do Estado Democrático de Direito. E enquanto aqui se gesta o ovo autoritário do PT, disfarçado de democracia como está em moda na América Latina, o superpoderoso Hugo Chávez vai conseguindo seu intento de governar totalitariamente e de estender seu poder sobre o continente. Na Bolívia, no Equador, na Nicarágua ele fez seus fiéis seguidores. Fará outros. E no Brasil também fez. Tudo indica que fazemos parte de um plano mais amplo da esquerda do século 21, que ostenta um capitalismo de mercado, mas mantém a linha “politicamente correta” do comunismo que, fracassado em todo mundo, teima em ressurgir por essas plagas sob a roupagem de falso progresso, mas com todo seu séqüito de horrores como a perda das liberdades, o empobrecimento generalizado em nome da igualdade, que para nós, latino-americanos, vem sob o comando do caudilho venal, corrupto e incompetente. Tristes trópicos esses. Mas pelo menos nos países vizinhos existem oposições. Aqui não. Como diria Boris Casoy, demitido da TV Record por dizer certas verdades: “tá tudo dominado”. Agora é aguardar pela canonização de José Dirceu e demais companheiros aloprados. Afinal, ao PT tudo é permitido. Os outros que se cuidem. Quem sabe vem aí uma Constituinte? É só o presidente pedir. O Congresso faz.

* Professora e especialista em Ciência Política pela UnB

IMPOSTO DE RENDA 2007

Receita divulga regras para a declaração do IR 2007
Folha Online


Os contribuintes brasileiros deverão entregar entre os dias 1º de março e 30 de abril a declaração do Imposto de Renda Pessoa Física de 2007 (ano-base 2006).

A expectativa da Receita Federal é de que 23,5 milhões de pessoas enviem o documento neste ano, contra 22 milhões em 2006. O aumento acontece mesmo com o reajuste de 8% na tabela do IR no ano passado, que, em tese, faz com que menos pessoas paguem o imposto.

'Mesmo com o reajuste da tabela nós sempre temos no mercado de trabalho novos ingressos e tivemos também um aumento da renda', disse Joaquim Adir, supervisor nacional do IR. Segundo divulgou hoje a Receita, os programas para download serão disponibilizados a partir das 8h do dia 1º de março no site do próprio órgão.

A entrega é obrigatória para o contribuinte que recebeu rendimentos tributáveis superiores a R$ 14.992,32; ou que recebeu rendimentos isentos, não-tributáveis - como indenização trabalhista ou FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) - ou tributados exclusivamente na fonte, cuja soma foi superior a R$ 40 mil; e ainda para quem tinha posse ou propriedade em 31 de dezembro com valor superior a R$ 80 mil.

Também estão obrigados a fazer a entrega o contribuinte que teve receita bruta com atividade rural acima de R$ 74.961,60; que fez operações em Bolsa; participou do quadro societário de uma empresa (com cota mínima de R$ 1000); e alienou bens em que foi apurado ganho de capital com incidência do imposto.

Para quem recebeu entre R$ 14.992,33 até R$ 29.958,88 no ano passado, a alíquota é de 15% e a parcela a deduzir é de R$ 2.248,87. Para rendimentos superiores a R$ 29.958,88, a alíquota é de 27,5% e a dedução alcança R$ 5.993,73.

Além da entrega pela internet, o contribuinte pode optar ainda por entregar gratuitamente em disquete nas agências do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, em formulário nas agências dos Correios a um custo de R$ 3,40 ou ainda optar pelA declaração simplificada on-line.

Essa declaração on-line não exige download de programas e pode ser feita apenas pelos contribuintes que tenham uma única fonte pagadora e patrimônio de até R$ 20 mil.

Neste ano, a Receita decidiu que brasileiros que vivem no exterior só poderão entregar a declaração pela internet - e não mais levar o formulário para alguma embaixada, por exemplo.

Regras
As regras para a declaração simplificada foram mantidas. Essa opção dá um desconto de 20% na renda bruta - limitado a R$ 11.167,20 -, o que na prática diminuiu o valor do imposto. Nessa declaração não é possível fazer deduções.

As deduções permitidas são por dependentes (R$ 1.516,32), gastos com educação (R$ 2.373,84 para o titular e o mesmo valor para cada dependente) e previdência privada (limitado a 12% dos rendimentos). Não há limite para dedução com gastos em saúde.

Neste ano também será possível fazer a dedução da contribuição ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) para empregados domésticos. Essa dedução vale para contribuição sobre até um salário mínimo e está limitada por ano a até R$ 522 mais um acréscimo de R$ 12 se as férias foram concedidas até abril ou de R$ 14 para férias a partir de maio.

Para ter o direito a esse benefício, é necessário informar na declaração o nome da empregada doméstica e o NIT (Número de Inscrição do Trabalhador).

Imposto a pagar
Outra novidade do programa do IR deste ano é sobre a forma de pagamento. O número de parcelas para quem tem imposto a pagar foi elevado de seis para oito vezes (maio a dezembro). O contribuinte poderá, no momento da declaração, optar pelo débito automático.

Por última, a Receita incluiu na declaração um formulário para o registro das doações feitas a campanhas eleitorais.

De acordo com Adir, ela será informada ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) quando solicitada.

A multa para quem entregar após o prazo alcança 1% ao mês do valor devido, sendo que a multa mínima será de R$ 165,74 e a máxima, de 20% do débito.

E A CLASSE MÉDIA...

A classe média está acabando... Sufocada por impostos, não suportará por muito tempo.

Os serviços que necessita também sofrem aumentos astronômicos. Veja abaixo, na matéria da Folha de São Paulo:

Preço de serviços sobe mais que inflação

Itens como táxi, estacionamento, dentista e recreação superaram IPCA; aumento do mínimo elevou custos, dizem especialistasJá os preços monitorados e administrados pelo governo tiveram reajustes menores; média de 4,28% é metade da registrada em 2005


Pagar mensalidades escolares, estacionar, consertar o carro, andar de táxi, ir ao dentista, viajar em férias. Hábitos rotineiros que não se alteram de um ano para o outro, desde que não se esteja a falar de preços.A inflação de 2006 (3,14%, segundo o IPCA) foi a menor desde 1998, mas o brasileiro -principalmente de classe média - teve de arcar mais com a alta de serviços como táxi (9,17%), oficina (5,11%), estacionamento (8,01%), dentista (4,82%), hotel (9,12%) e pacotes de viagem (15,06%).Para especialistas ouvidos pela Folha, muitos dos reajustes de 2006 sofreram impacto indireto do aumento maior do salário mínimo, já que importantes componentes das planilhas de custo dos prestadores de serviços cederam em 2006.É o caso da energia elétrica (alta de 0,28%, ante 6,68% em 2005) e da telefonia fixa (deflação de 0,83%, depois de subir 8,03% no ano anterior).Destacaram-se também outros aumentos, como mensalidade escolar (6,8%) e plano de saúde (12,3%). Também chama a atenção a alta da alimentação fora do domicílio (5,9%), bem acima da variação dos alimentos consumidos em casa (1,2%).A recomposição da renda e o aumento real da massa salarial proporcionou uma folga nos orçamentos das famílias. Tal cenário, dizem especialistas, também pode ter impulsionado o preços de alguns serviços.

Monitorados
Dados do Grupo de Conjuntura da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) obtidos pela Folha mostram que o conjunto dos preços monitorados e administrados pelo governo subiu menos em 2006. Em média, a alta foi de 4,28% no ano passado, abaixo dos 8,98% em 2005.A ausência de reajustes dos combustíveis (apesar da forte pressão das cotações do petróleo), a menor variação da energia e o recuo da telefonia puxaram os preços monitorados para baixo. Os serviços públicos, de um modo geral, subiram menos sob efeito indireto da depreciação do dólar, que levou os IGPs (Índice Geral de Preços) a variações menores em 2005 e 2006.Esses índices corrigem as principais tarifas públicas, cuja indexação foi menor no ano passado, num movimento que deve se repetir neste ano. Em 2006, tarifas e preços administrados tiveram a segunda menor variação desde o início do Plano Real -só em 1998 foi mais baixa (3,23%).Por outro lado, os serviços cujos preços são livres e não sofrem monitoramento do governo mostraram resistência. A variação média desses itens ficou em 5,49%, bem acima do IPCA de 3,14% de 2006. Em 2005, a alta dos serviços foi de 6,77%, e a do IPCA, de 5,69%."Os preços administrados e os serviços sempre mostram uma persistência maior. Resistem a cair e dependem de um período mais longo de estabilidade para baixarem", diz Carlos Thadeu de Freitas Filho, economista do Grupo de Conjuntura da UFRJ.Ao analisar especificamente os serviços cujos preços são livres, Freitas Filho afirma que o aumento de margem é mais freqüente do que no caso dos bens e a definição dos preços acontece de forma mais "subjetiva". Por isso, afirma, esses preços tendem a subir mais.Dentre os serviços, diz, o grande "vilão" em 2006 foi mesmo o emprego doméstico, cujo salário subiu na esteira do reajuste real de 13% do salário mínimo. A alta foi de 10,73%.Segundo ele, a alta do mínimo representou uma pressão de custo importante em 2006, embora tenha sido atenuada por variação menor de energia, telefonia e combustíveis.Para 2007, Freitas estima uma nova desaceleração dos preços administrados graças especialmente à previsão de queda da gasolina - de 5%, em média. O economista prevê um IPCA de 3,7% neste ano, com uma variação de apenas 3,2% para os monitorados.Professor da PUC-Rio, o economista Luiz Roberto Cunha avalia como "positivo" o aumento dos serviços, já que evidencia "o efeito da recuperação da renda das classes de renda mais baixa". "Se o país crescer mais de 4,5% num cenário de recuperação de renda, vamos ter serviços acima da inflação."

DOWN NA TERCEIRA IDADE

Muito interessante a reportagem (abaixo) da revista Veja desta semana.

Na revista, há também um quadro demonstrativo do aumento da qualidade de vida dos portadores da síndorme de down.
Confira.

As pessoas com a síndrome estão vivendo mais.Quem vai cuidar desses velhinhos?
Duda Teixeira

Meio século atrás, pessoas com síndrome de Down raramente sobreviviam além da adolescência. Essa situação mudou inteiramente. A expectativa de vida delas saltou para 56 anos, e já não causam surpresa aquelas que ultrapassam os 60 ou mesmo os 70 anos. Vários fatores contribuíram para que isso acontecesse – a assistência médica específica e mais eficiente, maior oportunidade de convívio social, o acesso à escola e ao mercado de trabalho são os principais. Isso tudo formou uma geração de indivíduos que nasceram com Down e estão chegando à terceira idade. Trata-se de inesperado desafio. Como lhes proporcionar os cuidados de que necessitam na velhice? Quando chegam a essa fase da vida, seus pais, as pessoas que geralmente davam atenção a eles desde pequenos, ou estão muito velhos ou morreram. "No passado, os médicos diziam para os pais não se preocuparem, porque os problemas físicos nunca deixariam pessoas com Down chegar à idade adulta", diz Jô Clemente, uma das fundadoras da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), de São Paulo. "A situação agora é completamente outra."

Estima-se em 300.000 o número de brasileiros com Down. A síndrome ocorre quando o cromossomo 21, em lugar de ser formado pelo par normal, ganha um terceiro elemento. Os sinais exteriores da alteração genética são perfeitamente visíveis. Os olhos amendoados e o rosto arredondado lembram vagamente traços orientais. Os músculos são flácidos, o que dificulta a fala e aumenta a possibilidade de quedas. O metabolismo mais lento favorece a obesidade. O desenvolvimento intelectual é comprometido em grau variado. Problemas nos órgãos internos e no sistema imunológico também são freqüentes e exigem atenção médica (veja o quadro abaixo).
Muitos desses problemas podem ser minorados com o atendimento adequado. Em centros especializados e nas mais de 2.000 Apaes espalhadas pelo Brasil (quase uma para cada dois municípios), fonoaudiólogos treinam a fala, fisioterapeutas ensinam exercícios para fortalecer a musculatura e terapeutas estimulam o desenvolvimento cognitivo com brincadeiras e atividades. Poucas dessas pessoas com Down que hoje têm mais de 60 anos foram diretamente beneficiadas por essa estrutura de apoio, criada sobretudo nas últimas duas décadas. Alcançaram a terceira idade em grande parte graças ao esforço dos pais e familiares para incluí-las no convívio familiar e na sociedade.

A paulistana Danimira Antonia Ursich, de 61 anos, freqüenta a Apae desde 1990. Lá pratica tapeçaria e outros tipos de artesanato. Filha de eslovenos, conversa com fluência na língua que aprendeu com os pais. O português ela praticou com os irmãos. "Ela sempre foi incluída em todas as atividades da família. Foi uma orientação intuitiva dos pais na época", diz a irmã Mileni Ursich, médica de 69 anos, que a acolheu em casa. Quando pequena, Danimira foi alfabetizada numa escola para crianças com deficiência mental mantida por um grupo de médicos no quintal de uma casa. "Os principais responsáveis pela melhoria observada nas pessoas com síndrome de Down foram os familiares, que exigiram e forçaram os profissionais de saúde a se preparar para lidar com seus filhos", diz o médico geneticista e pediatra Zan Mustacchi, do Centro de Estudos e Pesquisas Clínicas de São Paulo.

O novo desafio dos pais agora é planejar a velhice dos filhos com Down. Os especialistas aconselham a treinar o deficiente para uma vida com autonomia. Isso significa ensinar a realizar sem ajuda tarefas do cotidiano, como fazer compras no supermercado, usar o sistema de transporte público e cozinhar. Um curso profissional pode prepará-lo para o trabalho. Um indivíduo com síndrome de Down pode perfeitamente fazer trabalhos repetitivos em linha de montagem ou ser assistente de portaria. Embora nunca se possa prever o grau de inteligência que uma pessoa com Down atingirá, a maioria é capaz de realizar as atividades domésticas sem supervisão. Outros conseguem avanços maiores. No Brasil, atualmente há cinco pessoas com Down freqüentando a universidade.

Na terceira idade, todas essas habilidades começam a ser prejudicadas pela debilidade física, mais acentuada que o normal. Um problema então é saber onde essas pessoas com Down vão morar e com quem poderão contar quando as manifestações da idade e outros sintomas ligados à síndrome se acentuarem. Como as Apaes e entidades similares não funcionam como internato, normalmente a responsabilidade é assumida pelos irmãos. "Com a morte de minha mãe, há seis anos, passei a cuidar do Luiz", diz a advogada Lorene Aparecida Silva, 40 anos. Ela mora em Ribeirão Preto, a 310 quilômetros de São Paulo, com o irmão Luiz Antonio Carlos da Silva, 61, que tem Down. Durante o dia, enquanto ela trabalha, Luiz permanece na Apae, onde pinta e monta mosaicos. Nos fins de semana, os dois aproveitam a piscina da casa ou saem para tomar sorvete.

Adultos com Down exigem cuidados especiais. Por exemplo, eles têm enorme dificuldade em lidar com situações novas. "Qualquer coisa que saia da rotina de um indivíduo com deficiência mental provoca grande ansiedade, que pode gerar conflitos", diz Silvia Longhitano, geneticista da Universidade Federal de São Paulo. A necessidade de exercícios físicos também é maior, devido à debilidade muscular. A ocorrência da doença de Alzheimer também se dá de forma precoce. O quadro degenerativo que leva a rompantes agressivos e perda progressiva de memória se manifesta a partir dos 40 anos em pessoas com Down, enquanto no restante da população ocorre após os 60. "Meu irmão sempre foi uma pessoa alegre e divertida, mas tem estado um pouco nervoso ultimamente", comenta Cândida Amaral Brito, 47 anos, que vive em Anápolis, Goiás. Filha caçula de uma família de treze irmãos, Cândida cuida do primogênito, Dilmar, que tem Down e 73 anos, e da mãe, de 92. Fã do Flamengo, em meados do ano passado Dilmar apresentou os primeiros sinais de Alzheimer. Com freqüência não reconhece os parentes. A debilidade física o obriga a usar uma bengala de apoio.

No Brasil, há poucos centros especializados no atendimento de idosos com Down. Em 1998, a Apae de São Paulo abriu o Centro Zequinha, onde idosos com deficiência mental podem passar o dia, fazer exercícios físicos e praticar jogos de atenção e memorização, uma forma de combater o Alzheimer. No condomínio Aldeia da Esperança, em Franco da Rocha, cidade da Grande São Paulo, 63 pessoas com deficiência mental moram em pequenos apartamentos, trabalham e são assistidas por fisioterapeutas, nutricionistas e médicos. Quatro dos moradores têm a síndrome de Down. David Maiberg Neto, de 59 anos, é um deles. Órfão de pai e filho de uma senhora de 97 anos, David tem uma vida bem integrada na Aldeia. Nos últimos anos, com a visão e a audição comprometidas, passou a contar com a ajuda da namorada, Sheila Falkas, 36, também moradora do condomínio. "Ela é tudo para mim e eu sou tudo para ela", diz David.

A Aldeia da Esperança não está ao alcance de qualquer cidadão. O custo inicial de ingresso equivale à compra de um pequeno apartamento e a mensalidade é de 3.500 reais. Por outro lado, 30% dos moradores não pagam nada. No momento, há uma fila de trinta candidatos à espera de uma dessas vagas gratuitas. "Infelizmente, nada foi feito pelo setor público. Tudo o que existe para o atendimento de idosos com Down é por iniciativa privada", diz Jô Clemente, da Apae. Esse é um assunto que os órgãos públicos não podem continuar a ignorar. Existe grande possibilidade de o número de pessoas com Down aumentar proporcionalmente em relação ao total da população, uma vez que as mulheres engravidam cada vez mais tarde. Entre as gestantes de 30 anos, a probabilidade de nascer uma criança com Down é de uma a cada 895 nascimentos. Aos 40, o risco sobe para uma a cada 97.

CARNAVAL: SEU NOME É LUCRO

Uma das características mais interessantes do carnaval é o fato de que é uma festa que combina planejamento cuidadoso com execução cheia de espontaneidade. Dos bailes de máscaras em Veneza e corsos em Nice até os desfiles do Mardi Gras em Nova Orleans e os blocos e escolas de samba brasileiros, a organização apurada precede e garante a alegria da festa. Hoje, entretanto, esse planejamento vai além da esfera pessoal e chega à estratégia de marketing das empresas, que, tal qual os foliões mais dedicados, escolhem criteriosamente onde e com quem associarão sua marca durante o reinado de Momo, quanto investirão e, acima de tudo, qual será o retorno das ações realizadas durante o carnaval, que se estendem muito além da quarta-feira de cinzas. Com o patrocínio das cervejas mais consumidas no Brasil e das vodcas mais apreciadas no mundo, passando por outras categorias de produto, resta esperar que o som dos tamborins comece a soar pelo Brasil.

Fonte: Forbes Brasil

O VIÉS DOS JUÍZES PELOS POBRES É LENDA

Elio Gaspari

Num litígio judicial com o andar de baixo, o de cima tem até 45% mais chances de prevalecer

Dois advogados da Universidade de São Paulo deram um tiro na testa da teoria segundo a qual o Judiciário está entre os produtores de uma "incerteza jurisdicional" que favorece o andar de baixo, inibe o crédito e o funcionamento do capitalismo em Pindorama. A trava foi apontada em 2004 num trabalho de três marqueses das ekipekonômicas: Pérsio Arida, Edmar Bacha e André Lara Resende, todos com carreiras de sucesso na academia e na banca. A "incerteza jurisdicional" derivaria, entre outros fatores, de um viés dos juízes, que buscam promover a justiça social em litígios relacionados com o crédito e o respeito aos contratos.

A teoria amparou-se numa pesquisa feita na elite. Dirigida por Bolívar Lamounier, mostrou que 61% dos juízes entrevistados preferiam decidir a favor dos fracos. Outra, específica, de Armando Castellar, com um universo de 741 magistrados, confirmou o achado: a defesa da justiça social deve prevalecer na defesa do consumidor (55,4%) e nos contratos trabalhistas (45,8%). Lamounier e Castellar retrataram o que os juízes gostariam de fazer (ou gostariam que se dissesse que fazem). Ivan César Ribeiro e Brisa Lopes de Mello Ferrão, da Universidade de São Paulo, testaram a premissa da tese e foram ver o que acontece na vida real. Estudaram amostras de 181 decisões judiciais de São Paulo e outras 84 de 16 Estados. Lidaram com cálculos arcanos, como modelos de regressão e de análise binária, vulgo Probit. (Noves fora José Luís Bulhões Pedreira, morto em outubro, advogado que sabe matemática é raro como selo Olho-de-Boi.)

As pesquisas geraram dois trabalhos, um assinado pelos dois e outro, mais extenso, de Ribeiro. Resultou que se dois litigantes buscam a proteção de uma mesma lei, aquele que está no andar de cima tem até 45% mais chances de sair vitorioso. Se o contrato favorece o forte, tende a prevalecer. Quando favorece o fraco, esgarça.

Ribeiro, que teve o seu trabalho premiado pelo Ipea, foi mais longe: quando uma das partes pertence ao andar de cima local, tem entre 26% e 38% mais chances de prevalecer do que um grande grupo nacional ou internacional. Ele chamou esse fenômeno de "subversão paroquial da justiça". Numa terceira constatação, mostrou que, quanto maior a desigualdade social numa região, maior é o conforto do poderoso.

A chance de um cidadão de Santa Catarina conseguir a proteção de uma cláusula contratual num litígio com o andar de cima é três vezes maior do que a de um alagoano. Em bom português: "Não existe o favorecimento da parte mais fraca, ou seja, não há nenhuma evidência da aplicabilidade da hipótese da incerteza jurisdicional de Arida".

Em São Paulo, o Código de Defesa do Consumidor não protegeu uma cidadã contra um banco no caso de um contrato de financiamento de veículo. Já no Maranhão, o mesmo Código amparou uma empresa local que não pagou uma dívida de US$ 2,3 milhões. A outra parte era forte, mas na Suíça.

Descrita desse jeito, a pesquisa pode parecer uma pretensiosa transformação do pesquisador em instância de revisão judicial. O valor do trabalho está nos cálculos em quais se ampara, calafetando desvios da amostra, testando hipóteses e resultados.

No que se refere ao Judiciário, quem inibe o progresso econômico e social não é uma incerteza jurisdicional resultante de um favorecimento do andar de baixo. É a velha e boa "subversão paroquial" que privilegia o andar de cima do mundinho onde corre o litígio.

03 fevereiro 2007

HUMOR

De José Simão:

Casamento é assim: começa em motel e termina em pensão.

Assaltar pedágio não é roubo, é restituição.

E o Lula vai lançar um novo PAC. Plano de Ajuda ao Corinthians.

Também tem o piriPAC, o Plano de Ataque ao Contribuinte. Agora, disseram que o Lula podia lançar um pacote em pílulas. É o Pílula: Plano de Investimento pro Lula! Eu gostei da declaração dele sobre a economia: "Ou vai ou racha!" Mas seria melhor: "Ou vai ou Viagra!".

Que é mais engraçado que o Chaves. Ele agora tem "plenos poderes" na Venezuela. O Chávez virou o Chapolin Colorado. O Simão chegou à conclusão que o que o Chávez quer a escritura da Venezuela. Passa tudo pro nome dele!

E diz que o Chávez está fazendo discurso de oito horas, igual ao Fidel. O Simão acha que esse discurso deveria ter comentários do senador Eduardo Suplicy! Aí o discurso ia passar para 16 horas!

Luciana Gimenez: "Estou muito orgulhosa da minha mãe, a Vera Gimenez, que está defendendo os direitos dos animais. Afinal de contas, os animais precisam ser ouvidos!" E o Simão gritou: "AI, ACABEI DE OUVIR UMA ANTA!" É por isso que ela trabalha na TV, que é para ser ouvida! Por isso que o Simão insiste que ela tem que fazer um programa cômico. Ela não é burra nem anta. Ela é só atordoada! Quando ela era pequena, deram muita vitamina, aí ela cresceu demais e ficou tonta. Mas a melhor dela ainda foi a entrevista com a Monique Evans. A Monique falou: "eu já tentei o suicídio várias vezes, inclusive uma vez tomei uma caixa inteira de tarja preta!" E a Lucianta perguntou: "E não morreu?"

Cartilha do Lula
Pacato: Companheiro que aceitou o PAC pacatamente.
Evidente: companheiro que faz vidências por e-mail; é um "e-vidente".

FRASE

"O presidente reeleito não tem pressa. O governo recomeça depois do Carnaval. Ou da Semana Santa. Com certeza, ainda neste ano."
Villas-Boas Corrêa, colunista do Jornal do Brasil

AS GRANDES DORES SÃO MUDAS. MAS O DIÁLOGO PERSISTE:

Millôr

Pessimismo, cara, quê qué isso? Temos que evitar apenas os políticos corruptos, a violência crescente, o terrorismo difuso, o turismo desenfreado feito por velhinhas safadas, a emigração indesejável, a possibilidade da fabricação de bombas atômicas domésticas, a ameaça das "fronteiras móveis" (o Acre tá aí mesmo), os grandes conglomerados internacionais, o consumo doentio, a Conspiração Amarela com a capitalização da China, a poluição dos plásticos (sem esquecer a da água, do ar, da luz, do sexo, da moral e dos biquínis), as marabundas africanas organizadas em exércitos, o neonazismo, o neofascismo, o neo-neon, a Conspiração Internacional para a Extinção Sistemática da Flora e da Fauna, os incorporadores imobiliários, bumerangues a baixa altitude, os canibais seqüestradores de aviões, raios manta e raios panda, financiamento internacional do sistema de castas, elefantíase nos atletas, ateus, hereges, antipapistas, a vingança de Montezuma, vulcões ligados a tsunamis, a Conspiração Internacional dos Porcos Chovinistas, a democracia bolivariana, os pintores primitivos, tempestades de areia, vias de tráfego com três mãos e quatro andares, ameaça do degelo do pólo ártico e dos outros, comemorações da vitória Internacional do Homossexualismo cristão, monstros do lago Ness, menores sedutores, sedutores de menores, o boom da impotência, capitalistas bonzinhos, a Lei e a Ordem, especulação da bolsa Vuitton, obras de arte em geral, Conspiração Internacional da Chatice Organizada, sodomia, legalização das drogas, superpopulação, estranhos movimentos na vizinhança, manobras suspeitas na Bahia, explosões solares, adoradores de beterraba, Conspiração Internacional de Croupiers, delatores e dedos-duros, orgias no andar de cima, bacanais no andar de baixo, mosquitos gigantescos, moscas invisíveis, jigabós e telêmacos, maníaco-depressivos armados, aquele som, trios elétricos, baianos elétricos, gaúchos radiativos, materialistas sem Deus e sem moral, a volta da febre amarela em várias cores, voodoo, magia negra, macumba e maçonaria, monossódio e hexacloreto de coentro, jornais sem revisão, semanários sem censura, o underground, o establishment, colonialistas negros e missionários santimoniosos, virgens profissionais, beijos na boca, boquetes, seqüestradores de cachorros, nuvens de baratas paraguaias, mulatos liberais, barbados analfabetos, Conspiração Internacional dos Ratos de Sacristia, Agências de Publicidade, epidemia de tiques nervosos, Conspiração Internacional dos Motoristas Cegos, Conspiração Internacional de Psicanalistas Ávidos de Lucros Fáceis, ostras envenenadas, arteriosclerose, caçadores de cabeças, puritanos à solta, vôos da Goal sem itinerário, ciganos adoidados roubando criancinhas de 18 anos, cidades de velhinhos nazistas fugitivos, cursilhos, auto-de-fé, chicos xavieres e zés arigoses aos milhares, estrôncio 90, 91, 93, batedores de carteiras, menores delinqüentes, guardas pessoais, alcoólicos anônimos, alcoólatras famosos, a indústria do câncer, comunas e camping, macacos completamente nus, bombas atômicas extraviadas, extra-viados, mau hálito generalizado nas elites dominantes, Companhias de Seguro, solitários ameaçadores, ditadores analfabetos, organização militar das atividades religiosas, explosão da primeira bomba atômica do Haiti, gota, catarata, rompimento de gigantescos interceptores de esgotos, desastres com petroleiros de 1 milhão de toneladas, maconheiros armados, conclaves de estupradores de domésticas, terremotos, maremotos, falsos orientais, a maldição do sangue de pantera, doença do sono, falta de sono, trocadilhistas, donas-de-casa incompetentes virando emancipadas, contrabandistas, navios sob a bandeira da Libéria, antropólogos comendo índias, outros comendo índios, peixes contaminados, psicologismo, muros com cacos de vidro, vitiligo, pelagra, cães hidrófobos, violação de e-mails, velhotas topless, divorciadas doidonas, incêndios, enchentes, aquecedores a gás, terapia de grupo, sexo grupal...

TRIUNFO DA MÃE JOANA

Roberto Pompeu de Toledo

Gente fora do lugar, muitos falando ao mesmo tempo, uns sem ouvir os outros: eis a Câmara

O que mais fez falta na interminável, tediosa, tola, incongruente e inconseqüente campanha para a presidência da Câmara dos Deputados foi uma menção ao artigo de que aquela casa mais necessita – boas maneiras. Sem elas, nada feito. Não haverá esforço de moralização, reforma política ou reestruturação partidária que dêem certo. Não haverá presidente da mesa, por mais bem-intencionado, que dê jeito nos vícios que atravancam o funcionamento da Casa e lhe proporcionam tão má acolhida junto à opinião pública. Na falta de abordagem da questão por quem deveria fazê-lo, elencam-se a seguir alguns itens a ela relativos:

SENTADOS, POR FAVOR. O ambiente na Câmara é de feira. Muita gente falando ao mesmo tempo, muita gente de pé. Muita gente circulando no largo corredor que separa as cadeiras do lado direito das do lado esquerdo do plenário. Formam-se grupinhos que conversam como em porta de botequim. A maior aglomeração se constitui em torno do chamado microfone de apartes, no ponto em que o corredor central se encontra com o pé do estrado no qual se empoleira a mesa diretora. Ali, o aperto é maior do que o da grande área, antes da cobrança do escanteio, nos jogos de futebol. E, à semelhança da grande área nessas ocasiões, já houve ali agarra-agarra, empurra-empurra e até troca de sopapos, como no episódio que envolveu, não faz muito, os deputados Arlindo Chinaglia e Inocêncio Oliveira. Ora, na Câmara, como nos teatros ou nas salas de aula, o ambiente é, basicamente, de uma platéia que acompanha a apresentação de uma ou mais pessoas lá na frente. É de todo desaconselhável, no teatro ou nas escolas, que, enquanto transcorre a peça ou a aula, se forme uma aglomeração de gente de pé junto ao palco, ou à mesa do professor, ao mesmo tempo em que outros circulam pela sala. Se grande parte dos deputados, tomada pela doença do bicho-carpinteiro, não consegue ficar sentada, então que se retirem as cadeiras. Como há gente na Câmara que gosta de dançar, a adequação do recinto a esse tipo de expansão se completaria. Mas, caso se queira que os trabalhos ocorram com um mínimo de seriedade, muito se terá a ganhar se cada um se mantiver educadamente em seu lugar, só se levantando ou andando pela sala quando sua participação na sessão assim o exigir.

QUANDO UM FALA, O OUTRO FICA QUIETO. Eis um preceito que certamente todos ouviram da mãe, ou da primeira professora, mas o lugar em que é menos observado é aquele em que mais deveria sê-lo – a casa onde se fazem (ou melhor, se deveriam fazer) as leis e se discutem (ou melhor, se deveriam discutir) as questões nacionais. Difícil encontrar outro ambiente em que o desrespeito pela palavra alheia seja maior. Enquanto se manifesta o orador, uns lêem o jornal, outros cochicham, uns terceiros cochilam, uns quartos formam rodinha em que se soltam gargalhadas.

QUEIRAM DESLIGAR SEUS CELULARES. A invenção do telefone celular representou um grande avanço tecnológico e um correspondente retrocesso no terreno das boas maneiras. Há decisivas questões irresolvidas. Por exemplo: quando se caminha na rua, a falar ao celular, e cruza-se com um amigo, que fazer? Ignorá-lo? Apenas acenar e continuar andando? Fazer sinal para que o amigo espere, até terminar a conversa telefônica, para então cumprimentá-lo adequadamente? Cortar a conversa telefônica, para dar a devida atenção ao amigo? Todas as soluções parecem insatisfatórias. Uma coisa, porém, já foi definida: no teatro, no concerto, no cinema, nas conferências, nos seminários ou na sala de aula, os celulares devem ser desligados. Reina quanto a isso consenso absoluto. Já na Câmara... Na Câmara, entre todos os lugares, neste vasto mundo, os celulares encontraram o locus ideal para uma balbúrdia maior do que a de periquitos voando em bando.

RESPEITO, ESTA É A MESA DIRETORA. Na mesa se concentram a autoridade e a expectativa de boa ordem nos trabalhos. Deveria ser respeitada como a tribuna do magistrado ou o púlpito do padre. Mas como respeitá-la se ela não se respeita? Um dos mais intrigantes espetáculos oferecidos pela Câmara é o passa-passa atrás dos componentes da mesa, enquanto transcorre a sessão. Por que aquilo? Que move aquela gente que ali desfila, como intrusos infiltrados por detrás dos atores, num teatro? Outros ficam parados nas costas do presidente, na posição abstrusa e lamentável de papagaios de pirata. Outros ainda se põem a falar aos ouvidos dos membros da mesa, que nesse ínterim, se estavam fazendo algo de relevante, claro que já perderam o fio da meada. Difícil acreditar que, reinando tal confusão na direção dos trabalhos, se vá produzir algo de conseqüente. Se a Câmara é a Casa da Mãe Joana, com aquele monte de gente de pé, muitos falando ao mesmo tempo, uns não prestando atenção nos outros, a mesa é seu epicentro, o quarto da casa reservado às maiores estripulias. Do teatro do absurdo em que consiste a Câmara como um todo, a mesa é o palco onde sobe quem quiser, na hora em que bem entender.

A SEITA ANTICAPITALISTA E A TRISTEZA DO JECA

Reinaldo Azevedo

"A cupidez capitalista faz estações para durar, não para cair. A sede de lucro pode não inventar a penicilina, mas massifica-a. Os bilhões de dólares que a indústria farmacêutica torra em pesquisa visam à acumulação, mas fazem antibióticos. Não estou apelando à dialética: 'Ah, os malvados lucram, mas têm o seu lado bom!'.
Dialética não existe"

Boa parte do noticiário sobre o desabamento da Estação Pinheiros do metrô, em São Paulo, levou-me a convocar o espírito de Monteiro Lobato para conjurar o demônio do atraso que toma conta da vida pública brasileira. Os corpos nem haviam sido retirados dos escombros, e o canhoto do estatismo já escandia sua escatologia: a sede de lucro fizera mais vítimas. A militância antiprivatista que ajudara a eleger, havia pouco, um presidente da República encontrava na cratera o seu altar. Enquanto uns choravam seus desaparecidos, outros celebravam um triunfo intelectual. Os que lamentavam seus mortos tinham de genuinamente seu a dor. Os que pranteavam uma idéia tomavam de empréstimo sete cadáveres para exibi-los como emblemas de seu ódio.

Lobato foi um prodígio. Ainda hoje apanha nas escolas do ensino médio – será? – porque resolveu enroscar com a pintura modernista, numa crítica tão obtusa quanto brilhante. A turma da Semana de 22 caiu de pau no coitado. Só mais tarde foi reabilitado por Oswald de Andrade, que o chamou de "o Gandhi do modernismo". Gandhi? Lobato era bom de briga. Alguns de seus melhores textos estão reunidos em Urupês. Ali ele faz o retrato do Jeca Tatu: "Este funesto parasita da terra é o caboclo, espécie de homem baldio, seminômade, inadaptável à civilização, mas que vive à beira dela, nas penumbras fronteiriças. À medida que o progresso vem chegando com a via férrea, o italiano, o arado, a valorização da propriedade, vai ele refugiando em silêncio, com o seu cachorro, o seu pilão, a picapau e o isqueiro, de modo a sempre conservar-se fronteiriço, mudo e sorna. Encoscorado numa rotina de pedra, recua para não adaptar-se".

O pai de Emília (um tanto descrente dos homens, fez gênios uma boneca e um sabugo) referia-se aos meeiros e posseiros do Vale do Paraíba (SP), a então decadente região de Cidades Mortas, onde fica a sua Taubaté natal. Penso no trecho, e isso me assusta um pouco, como uma espécie de emblema e de signo sempre ativo não só do passado, mas também do futuro. Temo que o Jeca possa não ser apenas uma herança, mas também um destino. Pergunto-me: "Estaria ainda dentro de nós aquele homem das 'penumbras fronteiriças', que resiste à civilização, assim como a Capitu dos olhos de ressaca da Praia da Glória estava na inocente espevitada de Matacavalos?". Não sei. Resisto a pensar que o ódio cotidianamente destilado contra o capitalismo seja ou uma vocação ou um édito da sociologia, herança permanentemente atualizada e da qual não conseguimos nos livrar.

É claro que algum erro aconteceu na estação de Pinheiros, ou a obra não teria ido abaixo. Insurjo-me é contra os supostos motivos apresentados – antes de qualquer perícia, diga-se. Todos eles, não por acaso, são expressões de valores que fizeram e fazem a riqueza das nações, não o contrário. Ditaduras, incluindo a cultural, esta nossa, tentam emprestar sentido ético até à aritmética. Uma empreiteira não pode fazer uma obra pelo valor de custo porque isso corresponde a negar a existência da própria empreiteira, entendem? O lucro não é uma categoria moral inferior ao escambo. É só um outro patamar da civilização.

A cupidez capitalista, cara-pálida, faz estações para durar, não para cair. A sede de lucro pode não inventar a penicilina, mas massifica-a. Os bilhões de dólares que a indústria farmacêutica torra em pesquisa visam, é certo, à acumulação, mas fazem antibióticos. Não pensem que estou apelando à surrada dialética, acostamento dos desvalidos de argumento: "Ah, os malvados lucram, é verdade, mas têm o seu lado bom!". Dialética não existe. Não se trata de haurir o Bem do Mal. Não há nenhuma contradição entre lucrar e civilizar. Essa parceria não é mera correlação, mas relação de causa e efeito. Se alguma trapaça responde por aquela cratera, houve uma falha mais importante do que a de engenharia: houve uma falha do sistema. A estação caiu porque algo do capitalismo, naquele canteiro, não funcionou. A natureza do modelo é a expansão, não a autofagia. Do ponto de vista do sistema, o lucro não foi causa, mas também vítima da tragédia.

Então por que tanto ódio destilado contra o ogro dos nossos sonhos? Houve até cronistas emprestando à cratera babados e brocados de má poesia, lamentando a cidade cruel e autofágica, que não respeita a sua história. Tudo vazado naquele estilo decoroso da nostalgia edênica, que sempre me faz levar a mão ao coldre. Falei acima de éditos sociológicos. Dois clássicos que estudam a formação da sociedade brasileira merecem menção: Os Donos do Poder, de Raymundo Faoro, e Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda. Em poucos livros se pode aprender tanto, acreditem. Não obstante diferenças múltiplas, ambos chegam ao retrato daquilo que somos por meio daquilo que fomos: tratam menos de uma seqüência de eventos, o que seria história corriqueira, do que de uma genealogia do Brasil.

Segundo Buarque de Holanda, aos povos ibéricos, "as ditaduras e o Santo Ofício parecem constituir formas tão típicas de seu caráter como a inclinação à anarquia e à desordem". Vai além: para esses povos, "não existe outra forma de disciplina perfeitamente concebível, além da que se funde na excessiva centralização do poder e na obediência". Faoro chama o último capítulo de seu livro de "Viagem Redonda", indo do Portugal de dom João I ao Brasil de Getúlio Vargas. E consegue encontrar um traço comum em nada menos de seis (!) séculos de história luso-brasileira: o patrimonialismo, cuja expressão política é o "estamento burocrático". E avalia: "O capitalismo clássico, de caráter puritano e anglo-americano, baseia-se em valores de todo estranhos ao curso de uma estrutura de seiscentos anos".

É certo, para lembrar o poeta Carlos Drummond de Andrade, que muito do queixo de nossos avós sobrou em nosso queixo, mas é preciso cuidado para que a sociologia da formação do Brasil não ilumine o passado nem obscureça o presente como uma sombra de autojustificação e determinismo. O contemporâneo jeca brasileiro não está em nossas "vastas solidões", como escreveu Joaquim Nabuco, mas nas cidades. A repulsa ao capitalismo está menos entranhada na, vá lá, "ignorância do povo" do que na sabedoria mística de boa parte de nossos intelectuais e de nossas camadas médias de letrados. Chamo "sabedoria mística" à crença, que já não deve mais nada aos ibéricos e é agora caudatária de uma ideologia internacionalista e regressiva, de que só o Estado pode nos proteger da sanha molestadora do capital.

O ritual de exorcismo da privatização, das parcerias público-privadas e do lucro, dançado à beira da cratera, não é exclusividade, sei bem, do Brasil. O aquecimento global (também eu quero combatê-lo, juro), por exemplo, parece prenunciar, mundo afora, um novo milenarismo. As palavras de ordem são "mudar o nosso estilo de vida" e "disciplinar o consumo desenfreado do capitalismo". O dito-cujo é tratado como se fosse uma craca que tivesse se grudado ao casco do navio da civilização. Sem ele, parece, estaríamos todos cumprindo um grande destino.

Cada país, sei bem, é estúpido a seu modo. Mas será sempre mais inteligente acusar o mal-estar do capitalismo estando na abastança do que fazê-lo na carência, não acham? O Brasil precisa ser um pouco mais capitalista se quer mesmo odiar o sistema com motivos, se não justos, ao menos suficientes. Em tempo: o rombo das contas públicas deve muito mais à Constituição de 1988 do que ao "rei dom Manuel, com três penas no chapéu".

DIOGUILDO QUE SE DANE

Diogo Mainardi

"Se Luiz Gushiken de fato quisesse que a Polícia Federal investigasse minhas atividades secretas, qual o sentido de me alertar publicamente por meio de um garoto de recados?"

– Meu telefone deve estar grampeado.

É o que eu sempre digo aos meus interlocutores. Até mesmo quando se trata da professora de música do meu filho:

– A aula é quarta-feira às 9.

– Meu telefone deve estar grampeado.

– ...

– Tome cuidado.

A suspeita de estar sendo grampeado aumentou muito na semana passada. Luiz Gushiken mandou uma carta ao diretor da Polícia Federal, Paulo Lacerda, pedindo "medidas policiais" contra mim. O que isso significa? Escutas legais? Escutas ilegais? Quebra do sigilo bancário? Francenildo e Dioguildo?

Meu crime, segundo Luiz Gushiken, foi ter comentado numa coluna o assalto que ele sofreu em Indaiatuba. Isso demonstraria que sou membro de uma rede criminosa especializada em fabricar mentiras a seu respeito. Supostamente, o financiador dessa rede criminosa seria o banqueiro Daniel Dantas. O mesmo Daniel Dantas que eu acusei um monte de vezes de estar metido com o PT.

Mas o caso é ainda mais intrigante. Depois de mandar a carta ao diretor da Polícia Federal, Luiz Gushiken tomou a iniciativa de encaminhá-la a Paulo Henrique Amorim, que prontamente a publicou em sua página no iG, com o consentimento do autor. O petismo é misterioso. Se Luiz Gushiken de fato quisesse que a Polícia Federal investigasse minhas atividades secretas, qual o sentido de me alertar publicamente por meio de um garoto de recados?

Desconfio que seu plano fosse outro. Em meados do ano passado, a magistratura italiana passou a se interessar pelos negócios clandestinos da Pirelli e da Telecom Italia. Muita gente foi parar na cadeia. Algumas das principais testemunhas confessaram que as duas empresas pagaram homens públicos no Brasil. Telefono praticamente todos os dias aos meus informantes italianos, para saber detalhes sobre os pagamentos. Quem recebeu o tutu? Quanto? Quando? Onde?

Um dos envolvidos nessa história é Luiz Roberto Demarco, criador da loja virtual do PT e aliado de Luiz Gushiken na disputa comercial contra Daniel Dantas. É complicado saber o que passa pela cabeça de um petista, ainda mais um petista acuado. Se fosse para arriscar um palpite, eu diria que Luiz Gushiken teme ser associado de alguma maneira às denúncias vindas da Itália. Ao espalhar que eu e outros jornalistas fabricamos mentiras "com a finalidade de atingir a honorabilidade de sua pessoa", ele estaria tentando se antecipar aos eventos. Repito: é só um palpite.

O fato é que Luiz Gushiken acredita estar num estado policial. Para investigar alguém, basta ele querer, basta ele mandar. Talvez seja assim mesmo. O Brasil aceitou o acobertamento de todos os crimes de sua classe política. Se é para acobertar, é para acobertar até o fim. O Dioguildo que se dane.

02 fevereiro 2007

RELAX

Do Blog de ChengPong:

Teste Psicológico para Psicopatas

Este é um teste psicológico de verdade.

Uma garota, durante o funeral de sua mãe, conheceu um rapaz que nunca tinha visto antes. Achou o cara tão maravilhoso que acreditou ser o homem da sua vida. Apaixonou-se por ele e começaram um namoro que durou uma semana. Sem mais nem menos, o rapaz sumiu e nunca mais foi visto. Dias depois, a garota matou a própria irmã.

QUESTÃO:
Qual o motivo da garota ter matado sua própria irmã?
(A conclusão está abaixo, mas antes de lê-la, tente responder por si só)




CONCLUSÃO:
"Ela matou porque esperava que o rapaz pudesse aparecer novamente no funeral de sua irmã."

Se você encontrou esta resposta, parabéns...você pensa como um psicopata.

Este é um famoso teste psicológico americano para reconhecer a mente de assassinos seriais (serial killers). A maioria dos assassinos presos acertou a resposta.

Para um psicopata, sempre os fins justificam os meios.

Se voce errou... Bom para você, bom para sua família e bom para seus amigos.

Se você acertou a resposta... Apague meu nome da sua agenda, apague meu número do seu celular, apague meu e-mail e esqueça que me conheceu um dia.

COLLOR E ROBERTO JEFFERSON

Um dia depois da posse, Fernando Collor se filia ao PTB de Roberto Jefferson
Folha Online

Um dia depois de assumir seu mandato no Senado, o senador Fernando Collor (AL) assinou nesta sexta-feira sua ficha de filiação ao PTB. A filiação foi assinada na presença do presidente do PTB, Roberto Jefferson (RJ). Collor se elegeu pelo PRTB.

"Quem não sabe virar a página, não merece ler o livro. E eu tenho o desejo de terminar de ler esse livro. Essas questões que ficam no passado, lá estão", respondeu ele sobre seu retorno ao Congresso.

Ontem, ao retornar ao Congresso --14 anos depois de renunciar à Presidência da República em meio ao processo de impeachment aprovado pelos parlamentares--, Collor disse que o "sofrimento dos últimos anos" o fez amadurecer para voltar à cena política nacional.

Collor admitiu que o troca-troca partidário enfraquece o sistema político do país, "mas essas são as regras do jogo sobre as quais estamos desenvolvendo a questão política".

Collor disse ser contrário a essas regras e adiantou que irá propor no final de março ao Congresso uma "ampla, profunda e abrangente" reforma política. "Defendo uma reforma que realmente atenda às expectativas de todos nós que queremos regras mais claras para evitar casos como esse. A reforma política é a mãe de todas as reformas", afirmou.

Ele se derramou em elogios a Jefferson, que no processo de impeachmet foi um dos poucos parlamentares a declarar apoio a Collor no Congresso. "Ele [Jefferson] foi um dos mais leais, corretos e destemidos deputados que nos apoiou na Presidência e que arcou com as conseqüências desse gesto com bravura."

Jefferson afirmou que tem amizade e identidade com Collor, com quem lutou junto no passado e prometeu continuar apoiando o ex-presidente no presente.

O petebista relembrou os vínculos do partido com o trabalhismo e lembrou que Collor é neto de Lindolfo Collor - que foi ministro do Trabalho de Getúlio Vargas.

"Collor tem o DNA petebista, e chega agora à nossa agremiação para ajudar-nos no ideal petebista de construir um grande partido, que refaça o sonho daqueles que nos antecederam de lutar pelos direitos e conquistas dos trabalhadores brasileiros", disse Jefferson que acusou o ex-ministro José Dirceu de ser o operador do suposto mensalão.

BRASIL x ARGENTINA

1 - Crescimento do PIB: Argentina - 9,2% Brasil - 2,7%

2 - Inflação: Argentina - 9,8% Brasil - 3,1%

3 - Resultado Nominal das Contas Públicas: Argentina - + 1,2% do PIB Brasil - -3,4 % do PIB

4 - Gastos Públicos Primários (excluindo juros): Argentina - 21% do PIB Brasil - 36,3% do PIB

As informações referem-se ao ano de 2006.

Fontes: IBGE e INDEC

OS PARTIDOS NA CÂMARA

Da Agência Câmara:

A 53ª Legislatura da Câmara dos Deputados começa com 20 partidos representados na Casa. São quatro a mais em relação à posse da legislatura anterior (2003 a 2007), mas há uma sigla a menos em relação à eleição de outubro do ano passado. Isso se deve à fusão entre o PL e o Prona, que originou o PR.

Houve também troca-troca de partidos antes da posse. Comparando as bancadas na eleição e na posse, ocorreram 15 mudanças entre siglas. O maior beneficiado foi o PR, que teria 25 deputados com a soma entre PL e Prona, mas ganhou outros nove nomes e começa a legislatura com uma bancada de 34 parlamentares na Câmara, colocando o partido como o sexto maior na Casa. Quem mais perdeu deputados foi o PPS: eram 22 na eleição, mas apenas 17 na posse.

A maior bancada pertence ao PMDB, com 90 deputados (um a mais do que o número de eleitos), seguida pela do PT, com 83 (número inalterado). PSDB, com 64 deputados (dois a menos do que na eleição); PFL, com 62 (três a menos); e PP, com 41 (número inalterado), completam a relação das cinco maiores bancadas na Câmara.PL, Prona e PSL, que tinham deputados no início da legislatura de 2003 a 2007, não estão mais representados na Câmara. Já PR, Psol, PTC, PHS, PAN, PRB e PTdoB são siglas novas em relação à posse de 2003.

Blocos Nesse início de legislatura, três grandes blocos parlamentares vão atuar na Câmara. Eles foram formados ontem. O maior deles tem 279 deputados e reúne PMDB, PT, PP, PR, PTB, PSC, PTC e PTdoB. O segundo maior bloco, com 143 deputados, inclui PSDB, PFL e PPS. O outro bloco tem 72 deputados e é formado por PSB, PDT, PCdoB, PMN e PAN. Não se juntaram em blocos o PV (13 deputados), o Psol (3), o PHS (2) e o PRB (1).

A ELEIÇÃO DA CÂMARA E TUDO MAIS

De Reinaldo Azevedo:

Oportunismo não é realismo; burrice não é convicção. Ou “Por que me desgarrei da manada”

Começando


Hoje, caros, quase não tem clipping, não. As informações relevantes sobre a eleição da Mesa da Câmara estão todas dadas na edição de ontem e do começo da madrugada de hoje. Os jornais amanhecem coalhados de opiniões disfarçadas de fatos. Qual é a síntese?
- PSDB deu a vitória a Arlindo Chinaglia – é puro chute!
- Líder do PSDB foi a ato pró-Chinaglia
- Serra e Aécio fecharam acordo para 1ª vice-presidência;
- PSDB vive uma crise – é mentira!
- PT mediu forças com Lula e vai pedir mais – é falso!
- Base do governo está terrivelmente dividida por causa da eleição. Não está.
Muito bem. Se não quiser ler nada disso, não continue. Sei bem que a manada segue para o outro lado. Fiquei desgarrado. Começo afirmando aos mais exaltados que olhem o número de deputados das bancadas na Câmara (há uma tabela nesta página). Ou tentamos entender o que eles dizem ou vamos começar a exigir dos políticos que façam uma política que é a negação da política. Isso não existe. A burrice está para a convicção assim como o oportunismo está para o realismo. Sejamos realistas, mas não oportunistas. Sejamos convictos, mas não burros. Vamos continuar. Vai tudo num grande texto, separado por intertítulos. Só é possível comentar no fim:

O PSDB deu a vitória a Chinaglia?
À diferença do que diz certo gigante do jornalismo, a média dos jornalistas é petista, não tucana. Ao contrário: detesta PSDB e PFL. O primeiro porque seria soberbo, e o segundo porque “de direita”. O partido enfrentou a mesma acusação quando Severino Cavalcanti se elegeu presidente da Câmara: embora o governo tivesse maioria para eleger Eduardo Greenhalgh — e, pois, se traição houve, foi no governismo —, atribuiu-se a vitória de Cavalcanti aos... tucanos!!! Agora, faz-se a mesma coisa, num contexto um pouco diverso. Vamos ver:
- O PSDB tem 64 deputados
- O PPS tem 17 deputados
- O PV tem 13 votos
Juntos, somam 94. Gustavo Fruet obteve, no primeiro turno, 98 votos. Logo, capturou 4 votos de outras legendas. ATENÇÃO: ASSIM COMO SE PRESUME QUE OS TUCANOS VOTARAM EM MASSA EM FRUET NO PRIMEIRO TURNO, TAMBÉM SE PRESUME QUE PPS E PV FIZERAM O MESMO. Fizeram? Quem garante?
Chinaglia obteve 236 votos no primeiro turno e 261 no segundo. Aldo, respectivamente, 175 e 243. Um levou 25 votos a mais; o outro, 68. A diferença entre os dois, no segundo turno, é de 18 votos. Como é uma eleição de dois pólos, então estamos falando de 10 votos. Se tirássemos esses 10 de Chinaglia, ele ficaria com 251. Perderia. Se déssemos esses mesmos 10 para Aldo, ele subiria para 253. Seria eleito. Num universo de 98, em que 64 são tucanos, desafio algum matemático a demonstrar que esses 10 votos são mesmo do PSDB. Mais: Aldo teve 175 votos no primeiro turno. Ainda que os tucanos tivessem como fechar questão e votar em massa no comunista, sem defecções, ele chegaria a 239. Continuaria a precisar dos outros. "Ah, mas há evidências do acordo". Ao próximo ponto.

Líder do PSDB foi a ato pró-Chinaglia
Antonio Carlos Pannunzio (SP), líder do PSDB, e o líder do PV foram a um encontro de lideranças do PMDB numa churrascaria, na quarta. Arlindo Chinaglia estava presente. À diferença do que se noticia, não era “um ato de apoio!” ao petista — imaginem se dois dias antes da eleição os peemedebistas precisariam jurar sua fidelidade... A coisa é tratada como se Pannunzio tivesse feito tudo escondido. Escondido? Numa churrascaria? Mas o ideal não seria, então, aparecer?
O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), que tem tentado, sem conseguir, acertar a biruta desde que pegou carona no Aerolula e defendeu um conselho de ex-presidentes, além de encontro entre FHC e Lula, estrilou: “A eleição do presidente da Câmara não é só uma questão dos deputados, interessa a todo o povo. E nós já nos posicionamos a favor de um candidato que é do nosso partido e não cabem gestos como esse do nosso líder. Eu vou falar com o Tasso. Isso derruba o Fruet”. Como se sabe, não derrubou coisa nenhuma. O senador poderia era ter trabalhado com mais afinco para eleger Agripino no Senado. Se falar com Tasso, poderia lhe cobrar se ele ainda pode votar em Ciro Gomes em 2010, conforme anunciou no programa Roda Viva. A Terceira Via surgiu sem que essa gente toda tenha dado um pio.

Serra e Aécio fecharam acordo para 1ª vice-presidência
Meu candidato era o da Tarceira Via — e, pois, era Gustavo Fruet. Em Dois Córregos, gente muito mole, a gente chama de “nhonha”. Eu não gosto de gente nhonha. Posso achar Arlindo Chinaglia um desastre, mas não achava Aldo Rebelo assim tão melhor. Calma lá. O deputado Paulo Renato (PSDB-SP), por exemplo, reclamou de o PSDB ter liberado a bancada no segundo turno: o que ele esperava? Que se fechasse questão, em voto secreto, em favor de Aldo? O comunista do Brasil, com um histórico de submissão a Lula, virou agora líder da oposição? Eu até teria votado nele — qualquer coisa menos PT. Mas não dá para condenar Chinaglia por ter deixado, digamos, reservada a 1º vice-presidência para os tucanos. Essa decisão foi tomada há três dias. Qual foi a reação de Aldo? Quer dizer que agora cabia a José Serra e a Aécio Neves garantir a vitória do candidato de Lula? Tenham paciência! Aldo deu uma de "nhonho".
PFL – Uma coisa me intriga nisso tudo. O PFL tem 62 deputados. Tivesse votado com Fruet no primeiro turno, a Terceira Via teria, em princípio, obtido 160 votos, e Aldo, 113. O tucano é que teria ido ao segundo turno. Com a devida vênia, esdrúxulo mesmo é que um candidato comunista, ligado a Lula, tivesse como principal sustentáculo um partido que se quer liberal.

PSDB vive uma crise – é mentira!
Crise no PSDB? Qual? No dia em que José Serra e Aécio Neves chegam quase a trocar carinhos, onde está a crise? Quem é a crise? Paulo Renato? Silvio Torres? Crise, se há alguma (mas passa logo), pode existir é no governismo, que chegou dividido à eleição. Alguma seqüela sempre fica. Mas também nada que perturbe o equilíbrio do governismo. Não por causa disso. Outro número desprezado: o bonde do Chinaglia, o seu superbloco, tem 279 deputados, e ele obteve apenas 261 votos, só oito a mais do que o mínimo necessário. Dezoito deputados decidiram não seguir a orientação.
Tamanho da oposição – De resto, é preciso cair na real. Qual é o tamanho da oposição? Eu lhes digo: 143 deputados, a soma de PSDB (64), PPS (17) e PFL (62). Se quiserem, juntem aí PV (13) — e seria incorreto pôr todo ele. Chega-se a 156. O PSOL pode fornecer mais 3, 159. Queridos, não dá para eleger um presidente de oposição — e é bom lembrar que a turma de Heloísa Helena rejeitou Fruet. A Terceira Via sempre teve um caráter educativo e de protesto, ainda que o candidato negasse. É claro que é difícil ganhar. Não se esqueçam que os 72 deputados do bloco formado por PSB, PDT, PCdoB, PMN e PAN simplesmente integram o Conselho Político de Lula porque SÃO PARTIDOS GOVERNISTAS. Se o PFL tivesse fechado com Fruet, levando-o ao segundo turno, vocês acham que ele contaria com os votos do PSB ou do PC do B, por exemplo? É piada...

PT mediu forças com Lula e vai pedir mais – é falso!
Nunca, nunca mesmo!, vocês me verão a fazer digressões sobre dissensões entre Lula e o PT. Pode haver uma descoordenação ou outra, mas logo eles se acertam. O Apedeuta tirou a escada de Aldo Rebelo faz tempo. A idéia de que o PT vai enfiar a faca do pescoço do presidente é uma tolice. O efeito será justamente o contrário. O partido levou a presidência da Câmara. Lula vai dizer que foi um ganho e tanto. E vai deixar claro que terá de ser mais generoso com a parte derrotada da base do que seria se Aldo tivesse vencido a eleição.
PT paulista forte – Sim, fica mais forte no partido, sem dúvida. Mas é daí? É briga de branco. Eles que se entendam. “Ah, mas José Dirceu volta a ser uma referência”. Bem feito! Os petistas merecem. Não fosse essa uma briga que não me diz respeito — isto é, não tem nada a ver com o mundo que me interessa —, eu chegaria a fazer um esforço para que Dirceu voltasse a ser o manda-chuva do PT. Os petistas quase foram para o diabo justamente quando ele estava no comando. Sorriam: quanto mais Dirceu, mais problema para os petistas. Quanto mais problemas tem um petista, mais segura está a civilização. Ainda ontem, ele estava tentando derrubar a direção do Ipea. Até a imprensa petista fica um pouco infeliz. Por quê? Porque ela come pelas mãos de Luiz Gushiken. A chance de uma guerra intestina entre os amigos e os inimigos petistas de Daniel Dantas aumenta enormemente. Dirceu recende a confusão.
Anistia – “Ah, mas cresceu a chance de Dirceu ser anistiado”. Claro que cresceu.

Resumo da ópera
O resumo é o seguinte. Chega de frescura! Há menos de um mês, não havia candidatura da Terceira Via, e se duvidava que ela fosse possível. Saiu. Conseguiu 98 votos e ampliou enormemente a base de interesse pela disputa na Câmara. A rigor, só houve embate por isso. Ou o rolo compressor, aí sim, do PT e do PMDB teria triunfado, esmagando Aldo Rebelo, também um governista. Foi justamente a Terceira Via que possibilitou a formação do bloco PSDB-PFL-PPS. Só o blocão e o bloquinho governistas dão a Lula fantásticos 351 deputados. Sabem quantos são necessários para aprovar uma emenda constitucional, inclusive a da (re)reeleição (que será apresentada)? Meros 308 (três quintos dos 513 deputados). Sim, eu sei, existe o Senado. Lá, o PSDB (17) e o PFL (13), juntos, somam apenas 30 das 81 cabeças.
Lula esperou a eleição da Câmara para distribuir as prebendas ministeriais. Os governistas derrotados, não se enganem, receberão toda sorte de agrados. Mais: vêm por aí os embates do PAC, que tendem a engolfar o Congresso. O trabalho do núcleo oposicionista agora é tentar alargar algumas fissuras que sobraram no governismo por conta da disputa.
Política, meus caros, não é uma conta de chegada. Não numa democracia. Felizmente. Tem de ser feita a cada dia. E todo dia. O filósofo José Arthur Giannotti me disse, certa feita, em entrevista uma frase excelente: “Não existe política entre santos, mas existe entre sábios”.
Censurem sempre o oportunismo vendido como realismo. Mas afastem o cálice da burrice que pretexta convicção.

MAIS UMA DE CHÁVEZ

O que dizer?...


Duda Teixeira - Veja:

O coronel agora é censor

Chávez deveria ser proibido de entrar no Brasil. Ele quer destruir as liberdades aqui também

O que um ditador de um país periférico faz dentro de suas fronteiras é, desde que não cometa crimes contra a humanidade, um problema de seu povo. A situação é totalmente diferente quando Hugo Chávez desembarca no Rio de Janeiro e se põe a clamar contra a liberdade de imprensa no Brasil. Convidado a receber uma homenagem na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro no dia 19, Chávez exibiu um exemplar do jornal O Globo, cuja primeira página comentava a escalada autoritária na Venezuela. O presidente venezuelano acusou o periódico carioca de "inimigo do povo brasileiro, do povo latino-americano". Não se trata de uma disputa pessoal entre um presidente estrangeiro e um jornal, e sim de uma postura recorrente de Chávez, sob dois aspectos: primeiro, seu desrespeito à livre opinião e, segundo, seu hábito de interferir nos assuntos internos de outros países.
O venezuelano não tem o direito de trazer esses desmandos para o Brasil, onde a liberdade de imprensa é um valor enraizado e conquistado a duras penas, depois de duas décadas de ditadura. "Atacar um jornal dentro do Brasil foi uma improbidade que deveria ter sido condenada claramente pelo governo brasileiro", diz o ex-chanceler Luiz Felipe Lampréia. Eleito para seu terceiro mandato, Hugo Chávez anunciou um novo formato para seu governo. Resumindo, trata-se de partido único, socialismo e presidente vitalício com poderes para governar por decreto. Regimes com tais características são chamados de ditadura. São, obviamente, incompatíveis com uma imprensa independente. No pacote de inauguração de seu "socialismo do século XXI", Chávez também anunciou o fim da concessão do canal de televisão RCTV, um dos mais populares do país e crítico de seus demandos. O golpe prenuncia o fim da liberdade de expressão na Venezuela.

Uma forma eficiente de calar a imprensa venezuelana têm sido as ameaças e pressões feitas diretamente contra os jornalistas. Desde 2000, quando Chávez iniciou seu segundo mandato, registraram-se 1 500 agressões físicas a repórteres, operadores de câmera e fotógrafos, a maioria delas praticada por chavistas motivados pelas acusações nominais que Chávez faz a jornalistas em seu programa dominical de televisão. "Fomos todos obrigados a tirar a identificação de imprensa dos carros para evitar ataques", diz o jornalista venezuelano Nelson Bocaranda, da Unión Radio, de Caracas. Em 2005, com a entrada em vigor da Lei de Responsabilidade Social – mais conhecida como "lei da mordaça" –, começou uma avalanche de processos contra jornalistas, acusados de promover "ameaça à segurança nacional" ou "desrespeito a instituições e autoridades legais". O objetivo implícito da lei é levar os jornalistas à autocensura.